terça-feira, 5 de julho de 2016

'Estado está fazendo trabalho terrível', diz Paes sobre segurança no Rio

Prefeito deu entrevista à rede de TV americana 'CNN'
Operação Centro Presente começou na segunda-feira.


Foto: Arte O Dia
O DIA

Rio - Em entrevista exibida na segunda-feira pela rede de TV americana ‘CNN’, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o governo estadual está fazendo um trabalho horrível na segurança pública. “Esse é o assunto mais sério do Rio, e o estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de polícia, em tomar conta da segurança pública”, disse Paes na entrevista, em inglês. Na entrevista, o prefeito afirmou que “felizmente” a segurança durante a Olimpíada não ficará apenas a cargo do governo estadual. “Teremos a Força Nacional aqui, o Exército, a Marinha. Todos estarão aqui”, completou. Questionado se ele teme pela segurança dos moradores do Rio durante a Rio-2016, Paes afirmou: “Não estou preocupado se eles (cidadãos) ficarão abandonados durante os Jogos Olímpicos. Eu estou preocupado se eles ficarão abandonados todos os dias em suas vidas." Após a exibição do programa, Paes voltou a mencionar a crise da segurança pública, mas amenizou a crítica ao governo estadual: “A segurança não é um problema olímpico. Segurança pública é o principal problema do Rio desde sempre, desde muito tempo. (...) Nós passamos por um momento ruim, mas tenho muita confiança no governo”, afirmou. Procurada, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que não se pronunciará sobre as declarações do prefeito. No sábado, Paes havia dito que o governo estadual deveria melhorar a gestão porque já tinha passado muitas responsabilidades para a prefeitura e recebido dinheiro do governo federal. “Está na hora de fazer gestão, de tomar vergonha na cara e cumprir com suas obrigações.”

Segurança Presente começa no Centro
No primeiro dia da Operação Centro Presente, para coibir roubos e furtos, consumo e comércio de drogas na região, os agentes prenderam oito pessoas. Dois deles tinham mandado de prisão em aberto por roubo qualificado. O policiamento especial segue o mesmo modelo das ações já realizadas na Lapa, no Aterro do Flamengo, na Lagoa Rodrigo de Freitas e no Méier e será permanente das 06:30 hs., até as 22:30hs.

A primeira fase de implementação do projeto, que começou na segunda-feira, prevê o patrulhamento nos principais corredores de comércio da região da Praça Mauá, desde a Zona Portuária até a Candelária, na Avenida Presidente Vargas. Até o fim do mês, outras duas fases serão implementadas. O trecho da Candelária até a Praça 15 deve começar em 15 dias. A última etapa, da Praça 15 até a Cinelândia tem previsão para começar 10 dias depois da segunda. A operação é uma parceria da Fecomércio, Prefeitura do Rio e a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos. O investimento no projeto é de R$ 47.000.000,00 por ano, divididos pela prefeitura e Fecomércio, que já possui parceria com o Governo do Estado no investimento das Operações Aterro Presente, Lagoa Presente e Méier Presente. O valor inclui o pagamento do salário das equipes e despesas operacionais, como uniformes, materiais e combustível.

A funcionária pública Renata Pessoa, de 38 anos, que costuma usar o computador na Praça Mauá na hora de almoço gostou da novidade. “Eu costumo usar aliança, relógio e meu tablet para ler um pouco antes de voltar ao trabalho. Com essa patrulha dá uma sensação de segurança maior não só para nós, mas também para os turistas que circulam aqui”, disse Renata.


Em menos de quatro horas da Operação Centro Presente, nesta segunda, três pessoas 
foram presas. Quase 81 agentes começaram o patrulhamento da Praça Mauá até a Candelária.

Na primeira fase, 162 agentes participam do patrulhamento, em dois turnos. Quando as três etapas forem implementadas, serão 522 agentes. Em todas as áreas, o policiamento é feito em trios, formado por dois policiais militares (incluindo agentes da ativa e reserva) e um civil (egressos das Forças Armadas). Os presos são encaminhados para a 5°DP (Gomes Freire), que, segundo o governo, teve o efetivo de funcionários na delegacia ampliado. Além dos dois homens com mandado de prisão em aberto, foram levados para a 5ª DP (Mem de Sá) dois suspeitos com pequena quantidade de drogas, dois anotadores do jogo do bicho e dois usuários de drogas. Para o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, as operações já realizadas na Lagoa, Lapa e Méier tiveram um bom resultado e ajudaram a aprimorar o serviço implantado no Centro.

Reportagem da estagiária Julianna Prado
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