segunda-feira, 4 de julho de 2016

Demos um respiro aos estados, diz Temer sobre renegociação da dívida

Governo suspendeu o pagamento das parcelas mensais até fim de
2016. Temer fez a 1ª visita oficial a SP e ganhou carta de apoio de setor agrícola.


O presidente em exercício Michel Temer conversa com o governador de 
São Paulo, Geraldo Alckmin, durante evento do setor agrícola em São Paulo.
Tatiana Santiago 
e Márcio Pinho
Do G1 São Paulo

O presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), afirmou na manhã desta segunda-feira (4), em São Paulo, que a suspensão do pagamento das parcelas mensais de dívidas estaduais com a União até o fim de 2016 não significa que a União "abriu mão dos recursos", mas apenas adiou o recebimento. Após receber uma carta de apoio assinada por 46 entidades do setor agrícola, Temer detalhou aos empresários presentes o que considera feitos de seu governo em pouco menos de dois meses. Entre as ações citadas está a renegociação. No último dia 20, além da suspensão, o governo federal anunciou que concordou em alongar as dívidas estaduais com a União por mais 20 anos. Assim, o governo deixará de receber até 2018 cerca de R$ 50.000.000.000,00. "Nós resolvemos uma pendência que já estava rodando há mais de três anos que era a questão da renegociação de dívidas dos Estados. Os senhores sabem que os estados estão em grande dificuldade", disse sobre a reunião feita com os 27 governadores. "Os estados terão uma redução no seu débito neste ano e a partir do ano que vem começam a pagar a partir de janeiro apenas 5% e assim crescentemente ao longo de 18 meses", afirmou Temer. "Com isso, nós demos digamos assim, entre aspas, um respiro fundamental para os estados brasileiros", completou.

O presidente em exercício participou da abertura do Global Agribusiness Forum 2016, um seminário internacional de agronegócio em um hotel Hyatt, na Zona Sul de São Paulo. Essa foi a primeira visita oficial de Temer ao estado. Ele afirmou que deve viajar mais a partir de agosto, considerando que o Senado aprovará o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), que será votado em agosto. "Logo depois de agosto eu mesmo pretendo viajar para vários países para incentivar o investimento estrangeiro no Brasil em parceria com agronegócio, indústria e comércio. Devo até registrar que muitos investidores estrangeiros ainda estão esperando um mês, um mês e meio para investir no país com muita força. O que precisamos no país é restabelecer a confiança", afirmou.

Medidas impopulares
Temer afirmou que o apoio do setor agrícola é importante, tendo em vista medidas impopulares que estão por vir. "Esse apoio é fundamental porque a partir de um certo momento nós começaremos com medidas mais impopulares", disse, sem detalhar quais seriam. O presidente em exercício já admitiu em outras oportunidades a possibilidade da criação de impostos temporários, como a CPMF. Ainda detalhando medidas já adotadas pelo governo federal, Temer comentou o aumento de R$ 58.000.000.000,00 para o funcionalismo aprovado pela Câmara dos Deputados em junho com o aval do governo. Ele afirmou que o valor será diluído em quatro anos e que o reajuste já tinha sido aprovado anteriormente. Não dar o aumento seria uma coisa "politicamente desastrosa para o governo e para o país", disse. "Os movimentos políticos certa e seguramente motivariam aqueles que viriam cobrar o acordo firmado", afirmou. Ainda segundo Temer, o reajuste já estava previsto no Orçamento para este ano. "Estamos num sistema de muita contenção", concluiu. Segundo Temer, a não concessão do reajuste poderia desencadear greves do funcionalismo e afetar o funcionamento do Judiciário e do Ministério Público.

Sobre a continuidade dos programas sociais, como o Bolsa Família, o presidente em exercício também afirmou que o "primeiro direito social" é o emprego e que enquanto "houver extrema pobreza, os programas sociais vão continuar", mas os empregos são o que importam. "O país precisa é de uma pacificação nacional, de uma reunificação nacional, da interação entre o empresário e o trabalhador porque o primeiro programa social que deve ser levado adiante, o primeiro dos direitos sociais é o direito ao emprego. (...) É claro que enquanto houver extrema pobreza você precisa de Direitos sociais mais assentados como o Bolsa Família, Minha Casa minha Vida e outros programas que ainda devem permanecer e subsistir".

Deus
Temer também afirmou que enfrentou dificuldades para montar seu governo e que "Deus o ajudou" ao escolher uma boa equipe econômica. "Eu acho que Deus nos ajudou porque nós montamos uma equipe econômica, que penso eu, muito tempo não se via no Brasil. E escolhemos um ministro da agricultura [Blairo Maggi] aplaudido por todo o setor", disse Temer.

Temer ficou ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), durante todo o evento. O governador manifestou seu apoio ao presidente em exercício. "O destino colocou sobre suas mãos esse grande desafio de retomarmos a primavera da democracia, do desenvolvimento e da paz. Conte conosco ", disse para Temer.

Carta de apoio
A carta de apoio ao governo Temer entregue pelos representante do agronegócio brasileiro recebeu o nome de "Manifesto de Confiança ao Governo Brasileiro." "O agronegócio brasileiro reunido por ocasião do Global Agribusiness Forum (GAF) reafirma sua confiança na nova etapa de gestão do nosso país, sob o comando do presidente Michel Temer [...] Certamente, as reformas de caráter estrutural são o maior desafio para a nossa sociedade. Mudanças profundas do nosso modelo de desenvolvimento forçarão os brasileiros a se engajarem na redefinição de prioridades a fim de ajustarmos distorções e privilégios recorrentemente disfarçados de direitos adquiridos", diz o texto. O evento contou ainda com a presença dos ministros das Relações Exteriores, José Serra, e de Minas e Energia, Fernando Bezerra.

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