sábado, 9 de julho de 2016

Defensoria recomenda inclusão de espaço para matriz africana nos Jogos

Conforme O DIA revelou, o centro ecumênico construído na 
Vila Olímpica não tinha lugar reservado para essas religiões.


O DIA

Rio - A Defensoria Pública da União (DPU) recomendou ao Comitê Organizador Rio 2016 e à Prefeitura do Rio a garantia de inclusão das religiões de matriz africana no centro ecumênico construído na Vila Olímpica, na Zona Oeste. Conforme O DIA revelou, não estava previsto espaço reservado no local para essas religiões. Já as cerimônias do cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e budismo estavam garantidas durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O defensor público da União Edílson Santana explicou que a recomendação se baseia em pactos e convenções internacionais de Direitos Humanos e na Constituição Federal de 1988, em especial o Artigo 5º, sobre o direito fundamental à liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. “A recomendação se dá para garantir o exercício do direito fundamental à religiosidade por todas as práticas religiosas, com foco específico nas religiões de matriz africana, para garantir um ambiente de pluralismo.” O Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Organizador Rio 2016 e a Prefeitura do Rio têm dez dias para encaminhar as respectivas razões se não concordarem.

O Comitê Organizador da Rio 2016 explicou que o Comitê Olímpico Internacional (COI) é o responsável pelo centro e priorizou as cinco religiões mais seguidas pelos atletas com base em levantamento estatístico. O comitê disse, entretanto, que o local inter-religioso estará aberto para adeptos de todas as religiões interessados em auxílio espiritual e que se algum atleta solicitar a presença de um líder religioso fora das cinco citadas terá direito.

Para o babalaô Ivanir dos Santos, faltou diálogo dos organizadores com os líderes religiosos do país. “O argumento do Comitê Olímpico não se justifica, ainda mais sendo uma Olimpíada no Brasil. É preciso levar em conta a composição religiosa do país-sede. Há outros segmentos que foram excluídos, mas no caso das de matriz africana são religiões muito perseguidas no Brasil”, disse.

O centro vai funcionar das 07:00hs., às 22:00hs., com rituais das cinco religiões em português, espanhol e inglês, além de um ambiente de convivência e uma sala para aconselhamento particular. Mais de 10 mil atletas olímpicos e 4 mil paralímpicos de 200 países ficarão abrigados na Vila Olímpica. O Brasil tem 588 mil seguidores das religiões de matriz africana, segundo o Censo de 2010.

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