sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cachoeira, Assad e ex-diretor da Delta deixam PF na caçamba da viatura.

Os três foram presos na Operação Saqueador, 
deflagrada nesta quinta-feira.


O empresário Carlinhos Cachoeira (de preto), o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu 
(de branco) e o empresário Adir Assad (de jaqueta) seguem para a viatura da PF.
O DIA

Rio - O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-diretor da Delta Construção para a Região Centro-Oeste, Cláudio Abreu, chegaram no final da tarde à sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Junto, estava o empresário Aldir Assad, preso pela manhã em São Paulo. Os três foram presos na Operação Saqueador, deflagrada ontem. Cachoeira e Cláudio Abreu entraram direto em um carro da PF pela entrada principal, da Avenida Rodrigues Alves, antes das 17:45hs. Os três foram ouvidos pelo delegado Tácio Muzzi, chefe da delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal. Depois de ouvidos, por cerca de uma hora, os três deixaram a superintendência - eles estavam na caçamba da viatura - com destino ao Instituto Médico Legal (IML), onde farão exames de corpo delito. Em seguida, serão levados para um presídio do Rio, onde ficarão à disposição da Justiça Federal. Cachoeira e Cláudio Abreu foram presos em Goiânia. Eles foram presos em condomínios de luxo em Goiânia, onde moram. Já Aldir Assad foi detido na capital paulista.


O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal afirmam que os três participam de esquema de corrupção e lavagem de dinheiro por meio de obras públicas, envolvendo a empreiteira Delta Construção, de Fernando Cavendish. Cavendish não foi encontrado em casa, no Leblon, zona sul do Rio. O empresário teria deixado o país no último dia 22 com destino à Europa. O delegado Tácio Muzzi informou que o empresário ainda não foi localizado, mas que espera um contato do advogado de defesa do acusado, antes que de incluir o nome dele na lista da Interpol.

Outro investigado é Marcelo Abbud, que se apresentou espontaneamente à PF em São Paulo. Ele passará a noite na capital paulista e hoje (1º) será levado para o Rio de Janeiro. As investigações apontam que mais de R$ 370.000.000,00 foram lavados por meio de pagamento ilícito a 18 empresas de fachada. Segundo o delegado Tácio Muzzi, quase 100% do faturamento da Delta eram provenientes de obras públicas entre 2007 e 2012, somando quase R$ 11.000.000.000,00.

Defesa
O advogado Miguel Pereira Neto, que representa Abbud e Adir, disse que entrará com pedidos de habeas corpus para revogação da prisão.


O empresário Carlinhos Cachoeira embarca na viatura da 
Polícia Federal na Praça Mauá, presos na Operação Saqueador.

“Os dois habeas corpus estão sendo impetrados, já estão sendo redigidos e devem ser distribuídos hoje. Temos confiança da revogação da prisão preventiva. A decisão é relativa a fatos entre 2007 e 2011, não existe nada concreto, nenhum fato posterior, nenhuma novidade após esse período. A decisão tem dois pontos principais: em primeiro lugar uma suposição e em segundo lugar uma intuição e conclui que existem elementos concretos. Isso não poderia trazer uma conclusão para uma medida tão severa, tão grave, que é a decretação da prisão”, disse. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Carlinhos Cachoeira.

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