sábado, 4 de junho de 2016

Yoga pode fortalecer o cérebro


De acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos EUA, uma rotina semanal de yoga e meditação pode fortalecer o cérebro e ajudar a evitar o declínio mental relacionado com o envelhecimento.

Estudos anteriores
O enfraquecimento da função mental parece ser inevitável à medida que envelhecemos. Porém, é possível retardá-lo e atenuá-lo pelo modo como vivemos e, em particular, se e como movimentamos nossos corpos. Estudos anteriores já descobriram que as pessoas que dirigem, fazem musculação, dançam ou fazem jardinagem regularmente, por exemplo, têm um risco menor de desenvolver demência do que pessoas que não são fisicamente ativas. Há também uma evidência crescente de que a combinação de atividade física com a meditação pode intensificar os benefícios de ambas as atividades. Em um estudo recente, por exemplo, pessoas com depressão que meditaram antes de correrem mostraram maiores melhorias no seu estado de espírito do que as pessoas que fizeram apenas uma dessas atividades.

A nova pesquisa
Mas muitas pessoas não têm a capacidade física e o gosto para correr ou fazer outras atividades vigorosas. Assim, para o novo estudo, os pesquisadores da Universidade da Califórnia, em conjunto com outras instituições, decidiram testar se o yoga, uma atividade relativamente leve, poderia alterar o cérebro das pessoas e fortificar sua capacidade mental. Eles recrutaram 29 adultos na meia-idade ou mais velhos que disseram aos pesquisadores que estavam preocupados com o estado de suas memórias. De fato, essas pessoas tinham comprometimento cognitivo leve, uma condição mental que pode ser uma precursora da eventual demência, conforme avaliações da universidade mostraram. Os voluntários ainda passaram por escaneamentos do cérebro para descobrir como as diferentes partes estavam se comunicando umas com as outras.

Kundalini Yoga
Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um começou um programa de treinamento do cérebro que envolveu uma hora por semana em sala de aula e uma série de exercícios mentais destinados a reforçar a memória, que as pessoas tinham que praticar em casa por cerca de 15 minutos por dia. Os outros praticaram yoga uma hora por semana. No estudo, os pesquisadores optaram por uma prática chamada de Kundalini Yoga, que envolve exercícios de respiração e meditação, bem como movimento e poses. A escolha se deveu em grande parte ao fato de que as pessoas que estão fora de forma ou nunca fizeram yoga geralmente acham fácil concluir as classes. O grupo do yoga também aprendeu um tipo de meditação conhecida como Kirtan Kriya, que envolve a repetição de uma série de sons – mantras – combinada com movimentos da mão. Eles foram convidados a meditar desta forma por 15 minutos todos os dias, de modo que o compromisso total foi equivalente em ambos os grupos.

Resultados
Os voluntários praticaram seus programas durante 12 semanas. Em seguida, voltaram para o laboratório para outra rodada de testes cognitivos e um segundo escaneamento do cérebro. Todos os homens e mulheres tiveram um desempenho significativamente melhor na maioria dos testes. Mas somente aqueles que tinham praticado yoga e meditação mostraram melhorias em seus estados de espírito – eles obtiveram as menores pontuações em uma avaliação de depressão – e se saíram muito melhor em um teste de memória visual-espacial, um tipo de memória importante para o equilíbrio, percepção de profundidade e capacidade de reconhecer objetos e navegar pelo mundo. Os escaneamentos do cérebro em ambos os grupos apresentaram mais comunicação entre as partes de seus cérebros envolvidas em habilidades de memória e linguagem. Aqueles que praticaram yoga, no entanto, também tinham desenvolvido mais comunicação entre as partes do cérebro que controlam a atenção, o que sugere uma maior capacidade de se concentrar e fazer multitarefas. Com efeito, yoga e meditação igualaram e superaram os benefícios de 12 semanas de treinamento cerebral. “Ficamos um pouco surpresos com a magnitude dos efeitos”, disse a Dra. Helen Lavretsky, professora de psiquiatria na universidade, que supervisionou o estudo.

Como?
Como, fisiologicamente, o yoga e a meditação mudaram os cérebros dos voluntários é impossível de saber a partir deste estudo apenas. No entanto, reduções nos hormônios do estresse e ansiedade podem ter desempenhado um papel substancial, uma vez que os participantes do estudo eram pessoas preocupadas com o estado de suas mentes. Se outras formas de yoga e meditação ou atividades parecidas são igualmente boas para o cérebro, ainda é um mistério. Mas pode haver algo especialmente potente, de acordo com a Dra. Helen Lavretsky, sobre a combinação de yoga com o tipo de meditação praticada neste estudo, durante o qual as pessoas não estavam completamente imóveis – uma vez que o movimento aumenta os níveis de vários bioquímicos nos músculos e cérebros que estão associados com a melhoria da saúde. 

[NYTimes]
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