domingo, 26 de junho de 2016

Vai de Táxi, Uber, T81 ou WillGo? Saiba o que é mais vantajoso

Com lançamento de novos aplicativos para transporte passageiros têm cada vez mais opções para escolher como se locomover na cidade.


Wallace gostou de ter mais opções de transporte. 
'Com mais concorrência, melhora o serviço', diz ele.
GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Na disputa entre aplicativos de táxi e de transporte particular, quem ganha — pelo menos em alternativas — é o passageiro. Além do pioneiro Uber, que lançou um modelo de compartilhamento de viagens no Rio semana passada, os concorrentes T81 e WillGo chegaram à cidade oferecendo facilidades como preços previsíveis, pagamento em dinheiro e até motos para ganhar tempo no trânsito. Apps que operam com os amarelinhos credenciados pela prefeitura, como Easy Taxi e 99Taxis, apostam em promoções para não ficarem atrás na corrida pela clientela. O DIA levantou as características dos apps para ajudar os passageiros na escolha. Se a prioridade for economia, as plataformas de transportes particulares têm preços menores, em geral.


Considerando os serviços em veículos populares, uma simulação de viagem da Praça Saens Peña, na Tijuca, até a Praça 15, no Centro, custa R$ 14,80 no T81. No Uber, a conta ficaria entre R$ 14 e R$ 20 (UberX), ou de R$ 16 a R$ 17 se for na opção UberPool, em que o usuário divide a corrida com outros que vão para o mesmo destino.

As tarifas do T81, único serviço particular que aceita dinheiro, e do UberX são compostas por preço base somado a valor por quilômetro e por minuto. Ao contrário dos novos apps, o Uber aplica tarifação dinâmica quando a demanda é alta, elevando os preços. A vantagem do UberPool é ter o valor antecipado com desconto, mas não é recomendado para quem tem pressa, pois o motorista pode mudar de rota para pegar mais passageiros.

Segundo o Easy Taxi, a corrida de táxi no mesmo percurso sairia por cerca de R$ 20, na bandeira 1, e R$ 23, na bandeira 2 (das 21:00hs., às 06:00hs., e domingos e feriados), considerando os valores do taxímetro, que conta por distância e tempo. Como o 99Taxis também opera com os táxis municipais, o preço seria na mesma faixa. Uber, T81 e WillGo não têm bandeira 2.

Para quem está com o horário apertado, o Easy Taxi e o 99Taxis podem ser mais vantajosos, já que os tradicionais amarelinhos trafegam em faixas seletivas e corredores BRS, preferenciais para ônibus. O T81 e o WillGo saíram na frente com mototáxi e motoentrega, que driblam engarrafamentos.

Acuada pela concorrência, a Easy Taxi está com campanha de 30% de desconto em corridas através de pagamento pelo app, realizada em parceria com motoristas que aceitaram reduzir o valor de suas viagens. Já a 99Taxis dá 10% de desconto na primeira viagem pagando com cartão de crédito ou PayPal.

“Quanto mais opções, melhor. Com mais concorrência, melhora o serviço de todos”, diz o publicitário Wallace Luiz Alves, de 24 anos, usuário do Uber. A empresária Thamyres Nascimento, 24, substituiu o 99Taxis pelo T81 para economizar. “Tenho um negócio de crepe em eventos e, no T81, não pago extra para levar mercadorias”, diz ela, que é filha de taxista.

Para especialista, prefeitura deveria regulamentar
Os aplicativos que operam com motoristas privados não são regulamentados pela Prefeitura do Rio, mas têm autorização para funcionar na cidade desde o ano passado por liminar do Tribunal de Justiça. Especialistas em direito do consumidor garantem que a ausência de regulamentação municipal não torna os clientes do Uber, T81 e WillGo desprotegidos juridicamente.

“O Uber tem natureza de setor privado e táxis, natureza de setor público, mas ambos representam uma relação de consumo e aplica-se o Código de Defesa do Consumidor”, diz a advogada Andrea Rocha, do escritório Sérgio Camargo Advogados Associados. O advogado José Ricardo Ramalho ressalta que as novas plataformas não perdem no quesito segurança para as oficiais, já que checam os antecedentes criminais dos motoristas cadastrados nas esferas federal e estadual. “A fiscalização do serviço é feita pelos próprios usuários, que avaliam os profissionais ao fim da corrida. De acordo com a média de avaliações, os motoristas podem até ser descredenciados”, acrescenta.

Clarisse Linke, diretora do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), defende que a prefeitura não pode continuar ignorando os novos aplicativos. Para a especialista, uma regulação municipal permitiria avançar em estratégias de integração desses modos com o sistema de transporte público da cidade. “Não tem como segurar essa onda, porque a sociedade está sedenta por opções de qualidade, então tem uma oferta e demanda chegando”, avalia Clarisse.

‘A CELEUMA ESTÁ ERRADA’

5 MINUTOS COM: HUGO REPOLHO Professor do CTC da PUC-Rio.
O especialista em mobilidade urbana Hugo Repolho avalia que o Uberpool é a grande novidade do transporte individual no Rio, introduzindo o conceito de compartilhamento.

1. Para a mobilidade, as novas opções de transporte por aplicativos são positivas ou negativas?
— Positivas. O aparecimento destes operadores introduz o conceito de consumo colaborativo no transporte. Quebra-se a visão das últimas décadas de transporte individual. Relatório de 2016 da Associação Americana de Transporte Público revela duas conclusões. A primeira é que o aumento do uso dos transportes colaborativos contribui para que a população use mais o sistema coletivo, em detrimento do privado. A segunda é que os transportes colaborativos complementam o sistema de transporte público, melhorando a mobilidade. Este tipo de transporte pode funcionar como alimentador do sistema público.

2. O que acha do embate entre taxistas e motoristas do Uber?
— A celeuma gerada tem sido, a meu ver, errada. Não deveríamos discutir se o aparecimento do Uber, T81 ou WillGo têm impacto na rentabilidade dos táxis, mas sim se o serviço é benéfico e se a situação profissional dos motoristas é legal, como trabalhadores independentes ou contratados das empresas.

3. Por que a resistência do poder público em regular?
— Os negócios colaborativos vão continuar a florescer mundialmente. A negação destes sistemas pode levar ao mercado paralelo, sem controle e sem receita para o poder público.

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