domingo, 26 de junho de 2016

'UPP é segurança de luxo de traficante’, dispara prefeito de São João de Meriti

Sandro Matos vai oficializar ação judicial, pedindo uma liminar para obrigar o estado a aumentar o policiamento, caso não haja reforço no policiamento em uma semana no município.


Sandro Matos, prefeito de São João de Meriti
DIEGO VALDEVINO

Rio - Ele não pediu, não exigiu, não negociou. O prefeito de São João de Meriti notificou o governador e o secretário de Segurança Pública: “se acontecer amanhã alguma desgraça, respondem criminalmente”. Foi o primeiro prefeito a decretar emergência por falta de segurança. Garante que se em uma semana não houver reforço no policiamento, o município vai oficializar ação judicial, pedindo uma liminar para obrigar o estado a aumentar o policiamento.

O DIA: O senhor pediu alguma audiência com o governador ou com o secretário de Segurança Pública? Alguém entrou em contato após o decreto?
SANDRO MATOS: Beltrame e o Governo não fizeram uma ligação. Dá uma sensação de isolamento. Não pedi audiência. Já tive dez audiências. A última tem três meses. Estava toda a cúpula da PM, delegados e todos os vereadores. Foi uma conversa boa, pois disseram que iriam aumentar o efetivo. Iriam formar 1.200 policiais e dentro deste efetivo, um quantitativo iria para Meriti depois das Olimpíadas. Não foi feito.

Mas o Bope não esteve na cidade ?
Ruas estavam sendo fechadas com barricadas, inclusive no Centro. O lixeiro vinha e o traficante de fuzil, dizia que ele não ia entrar. Verdade seja dita, no dia seguinte o Bope esteve lá por três dias. Foi uma ação pontual. O engraçado é que o comandante da Baixada disse que não era barricada, e sim entulho. Usam sofás e geladeiras. Voltava do Palácio Guanabara, e na Linha Vermelha tinha uma blitz e ao lado barricadas com geladeira e concreto. Há 100 metros da barricada e da blitz, tinha traficante vendendo drogas com radinho. É uma situação inédita. Eu dizia: ‘Meriti não tem a beleza da Capital, mas não tinha a violência da Capital’. Mandei a foto para o governador.

Há desigualdade no número de efetivo de policiais entre Baixada e Rio?
Meriti tinha 45 policiais por dia, agora tem 35, o efetivo é de 230 policiais. A cidade tem 467 mil habitantes. O comandante do batalhão está entre eu e o secretário. Ele não é culpado. Somando todas as áreas de UPPs do Rio, há 609 mil habitantes, mas atendem a um total de um milhão de pessoas contando o entorno. Porque conta com 9.700 policiais nas UPPs se atendem a mesma quantidade de habitantes que a minha cidade? São João tem 55 morros. É um portão de entrada para o Chapadão. Peço 500 policiais. A forma de tratamento deles (o governo do estado) com São João de Meriti está diferenciada.

Acredita em retaliação?
Não posso afirmar isso. Em 2013 quase cheguei às vias de fato com o secretário. Fui a um evento e soube que ele ia fazer reunião com o Conselho de Segurança. Cheguei e pedi para falar. Era o prefeito que tinha maior relação política com o Sérgio (Sérgio Cabral, então governador do Estado). Quando falei da migração de bandidos, o secretário ficou nervoso e começou a rasgar papel. Ele pediu para falar e disse que era problema de iluminação pública. Jogou tudo na minha conta. Me deixou numa ‘sinuca de bico’. Causou constrangimento. Não concordei. Os moradores dizem que tráfico sempre teve na cidade, mas havia respeito. Chamava o morador de tio, tia, agora não conhecem ninguém, têm fuzis e assaltam todo mundo. O cara estava na minha casa, tem que me respeitar. Ele foi deselegante. Ele joga para a plateia. Faz um papel que não é nobre. Nunca vai ter dinheiro suficiente, pois está distribuindo errado.


Sandro Matos foi o primeiro prefeito a 
decretar emergência por falta de segurança.
O senhor é contra as UPPs?
As UPPs estão falidas. Ela foi criada em Medellín, na Colômbia, para separar traficantes do segmento A e B, que estavam se matando. UPP hoje é segurança de luxo de traficante. Continua tendo morte, tráfico, fuzil, policiais mortos. Dizem que vão montar a UPP Chapadão/Pedreira e Lagartixa. Sou a favor de fechar as UPPs todas. O Governo Federal, que foi notificado, repassou os R$ 2.900.000.000,00, mas não vai ter gerência, vai dar só direcionamento.

Há perspectiva de resolver essa situação com o Governo?
Tratam uma coisa e não cumprem. A perspectiva é diferente. O decreto dá uma formalidade. Nunca alguém tinha usado. Diferentemente de negociar, pedir ou exigir sem formalidade, eu notifiquei o governador e o secretário, se acontecer amanhã alguma desgraça, respondem criminalmente. Daqui a uma semana, se não tiver uma resposta concreta, entro com ação civil pública e peço liminar requisitando mais policiais.

Qual é a sua dúvida sobre o gerenciamento do reforço de R$ 2.900.000.000,00 para segurança?
Cabe ao governo do estado saber como vai gastar, mas percebemos que ele está mais preocupado com a capital do que com a Baixada. Não vamos admitir isso. Temos o Movimento ‘Meriti Pela Paz’, que reuniu 30 mil pessoas nas ruas. Na segunda-feira terá reunião na Câmara. Fazemos um ato desta magnitude, é impressionante: o estado nem se coça. É um desgoverno. Falta de comando. Desde o momento que não se posicionam, vamos levar para o Leblon.

Porque marcou protesto de Meriti no Leblon?
No Leblon, há um policial para cada 157 habitantes. Em Meriti, um policial para 2.040 mil. Queremos paridade. O povo da Baixada vale menos que o da Zona Sul?

Porque não tem apoio dos prefeitos da Baixada?
Eles têm medo. Temem ser penalizados pelo estado. O problema é generalizado na região toda. O Centro de Nova Iguaçu não está igual ao de São João de Meriti.

Vai apoiar qual pré-candidato para seu lugar?
Só na semana que vem vou anunciar isso.

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