sábado, 25 de junho de 2016

Queda de imposto não fará preço do feijão baixar logo.

Operadores da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio alertam que medida do governo é insuficiente e servirá apenas para conter valorização do produto.


Silvana Tavares, 48 anos, prefere pesquisar bem antes 
de comprar: “Está ficando difícil comer feijão”.
MARTHA IMENES

Rio - Ainda vai demorar para o consumidor brasileiro pagar menos pelo feijão. Apesar da decisão do governo de zerar o Imposto de Importação sobre o produto, aprovada ontem pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), operadores da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro (BGA-RJ) avaliam que a medida ainda é insuficiente para reduzir o valor do grão nos supermercados. De acordo com Humberto Margon, presidente da bolsa, a falta de estoque do produto não é um problema só do Brasil. Argentina e China, responsáveis por mais de 50% do feijão preto consumido no Rio, por exemplo, também estão com o armazenamento em baixa. “Para o preço cair seria preciso ‘inundar’ o mercado brasileiro com o grão. O que não vai acontecer porque nossos parceiros comerciais não têm quantidade suficiente para provocar essa sobre-oferta”, avalia Margon.

Na opinião de Wissan Riachi, também da BGA, a baixa do imposto vai amenizar os aumentos, mas não vai derrubar os preços. Segundo ele, quem tem estoque guardado deve começar a comercializar, mas isso não vai provocar excesso de oferta. “Se o estoque nos vizinhos fosse mais alto poderia suprir o mercado e com isso o preço do feijão recuar, o que não é o caso”, diz. A alternativa para não comprometer tanto o orçamento e não deixar de consumir o grão de alto valor nutritivo é pesquisar bem antes de comprar. Foi o que fez a secretária Silvana Tavares, 48 anos. “Olhei o preço e achei muito alto. Está ficando difícil comer feijão, não é?”, questiona. “Eu até levaria o mais barato, agora resta saber se a qualidade é boa. Prefiro pesquisar em outros mercados”, diz.

Arroz também está alta
Wissan Riachi, diretor da BGA, alerta para outro produto que já apresenta alta de preços e pode faltar no mercado: o arroz. “Há em um movimento especulativo”, diz. Ontem o grão fechou cotado em R$ 47,07, alta de 2,6% ante a semana anterior. Ao contrário do feijão, que não pode ser armazenado em silos por mais de três meses porque estraga, o arroz tem como ficar estocado por um ano, o que permite que o governo intervenha no preço. “O estado entra no mercado e compra o arroz em excesso e estoca. Quando há alta de preço, ele vende esse estoque e derruba o preço”, explica.

Mas este ano, a situação está mais complicada. Segundo ele, desde 2013 não há reposição de estoque. “O governo não tem poder de derrubar o preço por não ter estoque. O produto pode até sumir”, alerta.

Colaborou a estagiária Laila de Souza
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