domingo, 26 de junho de 2016

Prefeitura deve escolher sistema de contagem de passageiros em ônibus

Tecnologia poderá orientar, por aplicativos, 
localização e taxa de ocupação dos coletivos.


Aplicativos poderão informar a passageiro qual ônibus estará vazio.
GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Depois de longo imbróglio na Justiça, iniciado há mais de dois anos, a Prefeitura do Rio está cadastrando empresas interessadas em apresentar equipamentos para implantação de sistema de contagem de passageiros em tempo real nos ônibus. A tecnologia poderá orientar, por aplicativos, a localização e a taxa de ocupação dos coletivos, permitindo ao usuário decidir se embarca no próximo ou se espera um mais vazio, e saber quanto tempo resta para a chegada ao ponto. A medida atende a acordo firmado pelo município com o Ministério Público em 2014, que deveria ter sido cumprido até abril daquele ano. De acordo com o MP, o monitoramento conferirá transparência e conforto, auxiliando também na correta fixação da tarifa e no controle dos intervalos das linhas. O acordo tinha como objetivo compensar os impactos na mobilidade em decorrência de obras na região do Centro. A implantação do sistema não poderá gerar aumento da tarifa, diz o MP.

A convocação, publicada no fim de maio pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) no Diário Oficial, estabelece que as empresas têm até a próxima quarta-feira para se cadastrar. Segundo a SMTR, caso alguma tecnologia seja identificada e aprovada, testes de disponibilidade de informação em tempo real ficarão à disposição do banco de dados da prefeitura (data.rio) para serem usados pelos aplicativos. Três tipos de ferramentas deverão ser testadas: equipamentos de contagem sobre as portas dos coletivos, câmeras e acelerômetros. Após o cadastramento das empresas, a vencedora deverá fazer prova de conceito por um prazo mínimo de 90 dias em três ônibus, que serão indicados pela SMTR.

Caso alguma tecnologia seja aprovada, a pasta fará estudo para determinar a viabilidade de implantação nos ônibus, o que não tem prazo. Os custos serão estimados após os testes, e a secretaria não informou quem pagará a instalação da tecnologia, empresas ou município. O MP sustenta que, se não forem encontradas empresas interessadas em fazer testes, a prefeitura deverá viabilizá-los por conta própria. O MP culpou a prefeitura pelo atraso do processo e a SMTR diz que todos os prazos foram acordados com o MP.

Frota: 8,7 mil
É o número total de ônibus municipais no Rio de Janeiro. Eles transportam, em média, quase 3 milhões de passageiros por dia na cidade. A operação é feita por quatro consórcios, que detêm a concessão do serviço.

As opções: contagem, câmeras internas e acelerômetros
Uma das opções de sistemas que estão previstos no edital são os equipamentos de contagem sobre as portas que utilizam câmeras com visão tridimensional, iluminação infravermelha ou a combinação de ambas. Os aparelhos estabelecem linhas limítrofes que determinam o lado exterior e o lado interior do veículo e detectam as pessoas, identificando se cada uma passou de fora para dentro ou de dentro para fora. A tecnologia indica o número de pessoas no interior do veículo a cada momento. Outra possibilidade de tecnologia é através da análise das imagens das câmeras internas. Com isso, chega-se a uma estimativa da taxa de ocupação do veículo. O processo consiste em quatro fases: parametrização (definem-se parâmetros descritivos dos coletivos, como quantidade de assentos), calibração das câmeras (identifica quais objetos fazem parte do veículo, aumentando o acerto na busca por passageiros), detecção (identifica faces e cabeças) e análise (o conjunto de informações obtido nos processos anteriores é analisado para calcular a ocupação).

Apesar das dificuldades de utilização dessa tecnologia, a conjugação das informações obtidas através dos acelerômetros (instrumentos que medem aceleração e vibrações) com os dados da suspensão ativa (pressão do ar na mesma, que indica a carga sobre o ônibus), velocidade, transmissão e rotação do motor pode ser útil na inferência da quantidade de passageiros transportados. Essa inferência não é precisa no número, mas pode fornecer informações como vazio, meio cheio, cheio e lotado.

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