domingo, 26 de junho de 2016

Mulheres de PMs fazem protesto contra atraso de salários dos policiais

Manifestação ocorreu, na manhã de sábado, 
em frente ao Quartel General da corporação, no Centro.


Mulheres de PMs fizeram protesto, na manhã deste sábado.
O DIA

Rio - A manhã de sábado começou ao som das reivindicações e pedido de ajuda das esposas e familiares dos policiais militares do Rio de Janeiro. Em frente ao Quartel General da corporação, no Centro, o grupo chamado "Esposas e familiares, somos todos sangue azul" manifestou sua indignação contra o atraso de salários dos policiais e as baixas condições de trabalho. Com o objetivo de chamar a atenção das autoridades responsáveis e da mídia internacional, o grupo pretende fazer protestos durante os Jogos Olímpicos em pontos turísticos da cidade. Inclusive, duas datas com locais definidos estão confirmadas. A primeira está programada para a abertura do evento, dia 5 de agosto no Maracanã. A outra acontece dois dias depois, em frente ao Museu do Amanhã, na Praça Mauá. Casada há 6 anos com um policial militar, Mariana Medalha, 34 anos, é uma das líderes do grupo e afirmou que a maior revolta "são os salários atrasados". "O PM hoje não tem como vir trabalhar, não tem dinheiro. Estamos indignadas porque anunciaram que vão reformar o hospital dos presos em Bangu, enquanto tem policial morrendo em hospital público. A polícia representa o Estado, mas o Estado não representa a polícia".


A primeira manifestação do grupo de mulheres aconteceu no dia 30 de março, em frente à Secretaria de Estado de Segurança e continuaram por batalhões em todo o Rio de Janeiro. O nome "somos todos sangue azul" é uma alusão a cor da farda dos policias militares. "Não vejo a hora do meu marido sair, mas ele tem um amor enorme pela PM". A declaração emocionada da esposa de um Policial Militar com 30 anos de batalhão e 20 anos de casado comoveu as outras pessoas presentes.

Rogéria Quaresma, 37 anos, faz ainda um apelo: "Em todo lugar existe bons e maus profissionais, mas o que estão fazendo o seu dever de forma honesta, pagam pelos erros dos outros. Quem está defendendo a sociedade está morrendo. O meu dia a dia é muito sofrido, choro a cada policial que morre, porque isso pode chegar na minha casa a qualquer momento. O professor da minha filha falou em sala de aula que quem não estuda, vira policial. Até onde chegou a desmoralização da nossa polícia? Quando acontece alguma coisa ninguém liga para a boca de fumo, liga para o 190. Se a sociedade quer segurança, tem que vir pra rua dar esse grito de basta junto com a gente".

E a situação da polícia carioca pode ganhar mais um capítulo dramático na próxima segunda-feira. Há um indicativo de paralisação dos delegados das 08:00hs., da manhã às 16:00hs.. Além disso, os policiais militares e bombeiros estudam uma possível greve. Procurada pela reportagem, a Polícia Militar, através da assessoria de imprensa, solicitou que o contato fosse feito com a Secretaria de Fazenda, "responsável pelo pagamento de todos os servidores públicos estaduais".

Reportagem da estagiária Bruna Motta
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