terça-feira, 28 de junho de 2016

Medo da violência reina onde médica foi morta em tentativa de assalto

Com alta de 59% nos homicídios, moradores 
da Pavuna ficam presos em casa.


Viúvo e pai se despedem da médica Gisele Gouvêa que 
trabalhava em uma Clínica da Família em Nova Iguaçu.
DIEGO VALDEVINO

Rio - Um último beijo no caixão da mulher e um desabafo: ‘Hoje foi minha esposa, mas amanhã pode ser um de vocês'. Assim o cirurgião plástico Renato Palhares se despediu da médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, morta com um tiro na cabeça em tentativa de assalto na Linha Vermelha, na Pavuna, Zona Norte, na noite de sábado. Ela foi sepultada na segunda-feira sob uma salva de palmas no Cemitério Jardim da Saudade de Mesquita. Agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), investigam se Gisele foi perseguida antes de ser morta. Imagens de câmeras de segurança que monitoram a Linha Vermelha e a Rodovia Presidente Dutra foram requisitadas pela polícia. Após o enterro, o marido de Gisele fez duras críticas à falta de segurança na cidade. “A gente tem que parar o Rio de Janeiro. Com essa violência não dá mais. Minha esposa era um anjo”, lamentou Renato. A mãe de Gisele, Rosa Maria de Oliveira, disse que a filha tinha medo de passar pela Linha Vermelha, mas tentava preservar a família. “Soube que ela escondeu isso de mim para não me preocupar.”

O delegado Giniton Lages, titular da DHBF, afirmou que voltará ao local do crime com o carro da médica para fazer perícia complementar. “Faremos até o fim dessa semana. Isso vai ser decisivo para saber quantos atiradores participaram do crime e de onde vieram os tiros.” Moradores da Pavuna, onde a médica foi morta, reclamam do aumento da violência na área. Eles pretendem organizar um protesto para denunciar o abandono da região, que esse ano, de janeiro a abril, registrou 33 homicídios dolosos. Foram 13 casos a mais (alta de 59%) na comparação igual período de 2015. O Grupo Reviva Pavuna, fundado em abril, que conta com quase 300 pessoas, quer mostrar que os moradores não estão saindo de suas próprias casas. “Nosso bairro é uma ilha cercada de favelas, mal conseguimos sair de casa para comer uma pizza”, diz o fundador do grupo Bernardo Santos, 50. “A gente compra cerveja no mercado e pede a pizza por telefone para ficar em casa. Até ouvi falar que empresários querem criar grupos de extermínio na Pavuna para nos proteger”, diz o eletrotécnico Moisés Antônio Faria Farias, de 20 anos.

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