sexta-feira, 17 de junho de 2016

Boto mais famoso do Rio é encontrado morto na Ilha do Governador

Acerola era monitorado por pesquisadores. Ele 
representava espécie que simboliza o Rio em sua bandeira.


Crime ambiental: Acerola, que tinha 24 anos de vida, 
foi encontrado por pescadores com o corpo retalhado.
GUILHERME SANTOS

Rio - Mais famoso representante do boto-cinza, um dos maiores símbolos da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, Acerola foi encontrado na quinta-feira com o corpo todo retalhado a facadas. O animal era mascote de pesquisadores da fauna marinha carioca e da espécie em extinção. Monitorado desde seu nascimento, era um dos 35 animais que habitam a região da Baía de Guanabara. Ele foi achado por funcionários da Comlurb, na Praia da Freguesia, na Ilha do Governador. Para se ter uma ideia da importância do boto-cinza para a cidade, a espécie está representada na bandeira e no brasão oficiais do município. Estudiosos classificaram a morte de Acerola como um verdadeiro assassinato.


Vida até 30 anos
"Pela primeira vez em 24 anos de trabalho encontramos um animal retalhado dessa forma. Isso que nos surpreendeu negativamente e assustou muito, por que o boto nunca foi visto como um recurso financeiro e nem pode ser, já que está em extinção e isso é crime”, argumentou Alexandre Azevedo, professor de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e um dos fundadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua-Uerj). Em média, os botos-cinza costumam viver até 30 anos. Além de Acerola, os pesquisadores ainda cuidam da mãe e do irmão do bicho, que é conhecido como Laranjinha, em referência ao filme ‘Cidade dos Homens’. “Viveu pouco. Era criança ainda”, lamentou o professor.

Azevedo também afirmou que os pescadores da Baía de Guanabara sabem da importância do boto-cinza para a natureza. “Pescadores que circulam pela Baía nunca tiveram esse tipo de atitude. A forma como foi encontrado é triste. Ele (Acerola) morreu e depois foi cortado. Acreditamos que a carne e o músculo foram retirados para fazer de isca ou para consumo”, afirmou o especialista.

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