quarta-feira, 29 de junho de 2016

Aumentam pedidos para que União assuma segurança pública no Rio

Deputado Milton Rangel pede que Alerj solicite convocação imediata das Forças de Segurança Nacional para reforço.


O assalto à velejadora paralímpica australiana motivou deputado.
WILSON AQUINO

Rio - A incapacidade das forças de segurança estaduais para conter a explosão da violência, que tem deixado em pânico toda a sociedade fluminense e ameaça a Olimpíada, fez ressurgir os apelos pela intervenção federal no Estado. Nesta terça-feira, o deputado estadual Milton Rangel (PSD) apresentou uma indicação na Alerj, sugerindo à Casa que solicite a convocação imediata das Forças de Segurança Nacional para reforçar o policiamento. “Não podemos mais aguardar o início das Olimpíadas”, afirmou Rangel. Segundo ele, além de a população viver como refém do crime, “várias delegações estrangeiras já estão chegando para adaptação e treinamento, sem a devida proteção”, citando o assalto sofrido pela velejadora paralímpica australiana, Liesl Tesch, no Flamengo.


Deputado Milton Rangel (PSD).


Até quem não vive no Rio defende a intervenção federal. O advogado Carlos Alexandre Klomfahs, de 36 anos, que mora em São Paulo, encaminhou documento à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo que o órgão solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a medida. Para ele, a crise financeira e a falta de dinheiro para manter um policiamento adequado, às vésperas da Olimpíada, justificam a intervenção.

“Como é público e notório, o Rio passa por grave crise institucional e financeira. Isso tem causado diminuição na destinação de verbas à segurança pública do Estado”, ressaltou Klomfahs. Ele também cita as reiteradas queixas da Associação dos Policiais Civis do Rio, sobre as péssimas condições de recursos humanos e materiais, bem como a morte de mais de 51 policiais desde o início de 2016. Para ele, esses fatos “revelam o perigo potencial a que estão sujeitos os mais de um milhão de turistas, bem como a população da cidade do Rio de Janeiro”. Para ser implementada, a intervenção tem que passar por três etapas: o pedido ser aceito pela PGR, depois pelo STF e, por fim, caso passe pelas duas etapas anteriores, o pedido será submetido ao presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), que poderá aceitá-lo ou não. O cientista político e professor da UFRJ, Paulo Baía, apoia o movimento. “As forças de segurança pública, civil e militar, estão no limite da legalidade. Temo por um motim. O governo federal deve agir rapidamente”, disse.

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