sexta-feira, 3 de junho de 2016

Apesar de determinação da Justiça, alunos da rede estadual não têm aula

Ocupadas ou não, escolas estaduais não retomam rotina 
por falta de professores. Ponto pode ser cortado.


Gabriel, Juan e Thiago foram à Escola Mendes de Morais, com os livros 
que ganharam semana passada, mas não teve aula por falta de professor.
O DIA

Rio - Mesmo com a determinação da Justiça para que as escolas ocupadas voltassem a funcionar na quinta-feira, alunos da rede estadual passaram mais um dia sem aula, por conta da greve dos professores. Os profissionais decidiram manter a paralisação, que já dura 91 dias, e o secretário estadual de Educação, Wagner Victer, ameaçou cortar o ponto dos grevistas, caso o movimento seja declarado ilegal. Apenas uma escola foi desocupada, do total de 58 que estavam sob domínio do movimento Ocupa até a decisão da juíza da 2ª Vara da Infância, Juventude e Idoso, Glória Heloíza Lima da Silva, na terça-feira, para que a ocupação não prejudicasse alunos que querem ter aulas. No Andaraí, Zona Norte, alunos que ocupavam o Colégio Estadual Chico Anysio desde o dia 2 de abril resolveram deixar o local, porém, as aulas só serão retomadas na segunda-feira. “A gente está saindo daqui hoje (ontem). Está acontecendo uma reunião com a direção e todos os professores que dão aula aqui”, disse Igor Meirelles, de 19 anos, estudante do terceiro ano do Ensino Médio, um dos integrantes do Ocupa. “A gente ia desocupar antes já, estamos esperançosos e queremos que as aulas recomecem”, completou. Segundo o grupo, o colégio está fazendo limpeza, ajustes e reuniões para o reinício das aulas na segunda. “Estamos saindo vitoriosos. Conseguimos nossas reivindicações, fomos ouvidos”, disse Giulia Barros, 17.

Na Escola Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, primeira a ser ocupada, no início de março, as aulas começaram segunda-feira passada, porém, de forma irregular por conta da falta de professores.“Viemos para a aula, mas não teve”, disse Thyago Pashoa, 16, do primeiro ano do Ensino Médio. “As aulas começaram semana passada. Alguns dias a gente tem as matérias, outros não, por causa da greve”, completou. Ele e os colegas Gabriel Cardoso, 15, e Juan Gabriel, 16 estavam sentados na calçada com suas mochilas. Dentro delas, os livros didáticos prometidos pela Secretaria de Educação, distribuídos semana passada. “Notamos outras melhorias como a volta do ar condicionado e a mudança de direção”, comentou Juan. Para eles, a paralisação serviu para que as reivindicações fossem atendidas.

‘Jeito é estudar em casa’, diz aluna
A Secretaria de Educação explicou que a determinação da juíza é que o movimento de ocupação não interfira no direito de outro aluno que quer ter aula. No Colégio Visconde de Cairu, no Méier, Zona Norte, muitos alunos tiveram que voltar para casa. “Só vai ter aula segunda. O jeito é estudar em casa, pela internet”, disse Maria Luisa de Souza Costa, de 17 anos, que vai prestar vestibular para Enfermagem. “A sorte é que minha mãe é professora de português e meu pai, de geografia, eles me dão uma ajuda”, completou. Sua amiga, Yara Marques, 17, foi para a escola porque viu no jornal que haveria o retorno. “Teve reunião aqui dentro com a direção, professores e alunos. Estamos perdendo muita aula”, declarou.

Greve pode ir para dissídio
Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), 30% dos docentes estão comparecendo às salas de aulas, outros 70% estão em greve já há 91 dias. Em assembleia na tarde de ontem, os profissionais da área decidiram dar continuidade à paralisação. Em seguida, protestaram em frente ao Palácio Guanabara e foram atendidos pelo secretário de Educação, Wagner Victer. Ele informou que se o movimento persistir, a greve vai ser levada a dissídio e a Justiça decidirá pela legalidade ou não da paralisação. “Será aplicado o corte caso a Justiça determine que os professores tenham que retornar às aulas”, disse o secretário. Na noite da quinta-feira, a juíza Maria Daniella Binato de Castro, titular da Vara de Infância, Juventude e Idoso de Campos dos Goytacazes, determinou que as seis escolas ocupadas no município fossem desocupadas, de forma voluntária, em duas horas. Caso os estudantes neguem a decisão, a magistrada autorizou a desocupação forçada, por oficial de justiça, podendo contar com apoio policial. O prazo que ela estipulou foi de 24 horas para o cumprimento da decisão.

Reportagem da estagiária Carolina Moura
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