terça-feira, 14 de junho de 2016

Abrigos municipais recebem mais moradores de rua durante o frio

Temperatura chega a 8,6 graus no Alto da Boa Vista, a 
mais baixa em 14 anos. Em Resende, registro foi de -1 grau.


Abrigos municipais recebem mais moradores de rua durante o frio.
MARLOS BITTENCOURT

Rio - O frio, que pode ser bem-vindo para os que podem se proteger em suas casas e com agasalhos, porém, torna-se mais um problema para quem vive nas ruas. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informou que, nos meses de inverno, intensifica as ações de recolhimento nas ruas e que, neste ano, estão recebendo 30% a mais de pessoas em situação de rua nos abrigos municipais. Segundo a secretaria, censo realizado, em 2013, apontou que 5.580 pessoas vivem em situação de rua no município. Na rede de acolhimento da cidade há 2.177 vagas. A secretaria acrescentou que tem reformou os abrigos, com novo atendimento mais humanizado, que visa a inserção dos acolhidos em até nove meses. “O que a gente acredita é que, a partir de agora, muitas dessas pessoas não voltem para as ruas após a passagem pelas unidades de reinserção social”, disse Rodrigo Abel, subsecretário de Proteção Social Especial. O frio gera reclamações de quem vive nas ruas. “A gente passa um sufoco danado. Deitamos sobre papelão para esquentar um pouco”, disse um homem, na região da Lapa, que pediu para não ser identificado.


Outono com pinta de ‘inverno rigoroso’
Há 14 anos os termômetros não marcavam temperaturas tão baixas no Rio quanto na manhã desta segunda-feira. Segundo o sistema Alerta Rio, da prefeitura, a mínima de ontem chegou a 8,6 graus, às 06:30hs., no Alto da Boa Vista. Em Resende, no Sul Fluminense, o registro foi negativo: - 1 grau no Pico das Agulhas Negras. Enquanto a maioria dos cariocas e turistas se agasalhava pelas ruas da cidade para se proteger do vento frio, há alguns trabalhadores que não estavam nem aí para a queda da temperatura. É o caso de Eduardo da Silva Mendonça, 46, que trabalha carregando alimentos de um lado para o outro em câmaras frigoríficas, em Ramos.


Em frigorífico de Ramos, funcionários trabalham 
em temperaturas de até 18 graus negativos.

Equipados com roupas especiais de polietileno (calça, casaco, luvas e botas forradas com lã de carneiro e touca), os funcionários pegam temperaturas de até 18 graus negativos. “Parece estranho, mas é melhor trabalhar no inverno porque a gente não pega variação de até 58 graus como acontece nos dias de verão”, afirma Eduardo, referindo-se ao contraste nos dias de Rio a 40 graus.

No outro extremo, Nadson Souza, de 22 anos, também não sente o outono com cara de inverno rigoroso. Há dois anos, ele prepara galetos na Lapa e encara cerca de 60 graus diante de uma churrasqueira. Antes de ir embora, é necessário tomar banho gelado, mesmo no inverno, e esperar a temperatura do corpo baixar. “Para mim não faz diferença estar frio ou quente na rua, trabalho no calor todos os dias. As temperaturas são altas demais. Na cozinha, com a churrasqueira apagada, fica em torno dos 30 graus. Às vezes é até pior estarmos no inverno por causa da diferença entre cozinha e a rua”, compara Nadson.

Desde que o Alerta Rio começou a fazer medições na cidade, a menor temperatura registrada havia sido nos dias 13 e 16 de novembro de 2007, quando fez 9,1 graus, em São Cristóvão. A previsão do órgão da prefeitura para hoje é de mínima de 9 graus e máxima, de 25.

A frente fria que chegou ao Rio trouxe, na bagagem, tremenda ressaca. Na madrugada de domingo, a água invadiu às pistas da Avenida Delfim Moreira, no Leblon. E as ondas atingiram quase quatro metros. O ressaca deve continuar na cidade até quinta-feira. Entre algumas recomendações do Corpo de Bombeiros estão: evitar o banho de mar em áreas de ressaca; esportes no mar e não permanecer em mirantes em locais próximos às ondas.

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