domingo, 29 de maio de 2016

Tráfico manda comércio fechar as portas em Vila Isabel

Na manhã do dia 25, um homem morreu em uma 
operação realizada no Morro dos Macacos.


Tráfico mandou comércio fechar as portas em Vila Isabel.
DIEGO VALDEVINO 
E MARLOS BITTENCOURT

Rio - Moradores de Vila Isabel enfrentaram um dia de muita tensão, na quarta-feira (25), com comércio fechado e um ônibus queimado. Os ataques e a ordem de fechar teriam vindo de traficantes do Morro dos Macacos, onde uma operação da Polícia Militar deixou um morto pela manhã. A operação realizada durante a manhã tinha objetivo de checar esconderijos de armas e drogas e, segundo a Coordenadoria da Polícia Pacificadora (CPP), houve confronto na região conhecida como Terreirinho, onde o jovem, identificado como Hiago Santos da Silva, de 18 anos, foi encontrado morto. Conhecido como “Mata Gato”, ele seria um dos gerentes do tráfico de drogas na comunidade, segundo informações dos policiais. O setor de inteligência da CPP informou que Hiago já havia sido detido outras duas vezes por policias da UPP. Uma mulher também foi detida na ação. Na operação, as equipes apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros, dois carregadores para fuzil, munições e um rádio transmissor. O caso foi registrado na Divisão de Homicídios (DH). O policiamento na comunidade está reforçado por PMs de outras UPPs.

Um comerciante que pediu para não ser identificado disse que seis homens que seriam ligados ao tráfico passaram na rua mandando as lojas fecharem após os tiroteios. No início da noite, um grupo de pessoas ateou fogo a um ônibus na Rua Visconde de Santa Isabel. Pelo menos um contêiner de lixo também foi incendiado. O entorno da comunidade recebeu reforço de equipes do 6º BPM (Tijuca) e do Batalhão de Choque (BPChoque). A região de Vila Isabel vem sofrendo com o aumento da violência. Na noite da última terça-feira (24), quatro homens armados roubaram celulares, carteiras e a féria do dia de oito pessoas na Rua Petrocochino com Visconde de Santa Isabel, num local conhecido como ‘esquina do terror’, num dos acessos ao Morro dos Macacos. A maioria dos comerciantes e moradores da Rua Petrocochino tem medo de revelar a identidade por temer represálias. Eles querem denunciar, mas preferem ficar no anonimato porque os bandidos que promovem arrastões na área seriam sempre os mesmos.

Dono de uma banca de jornais na região, um jornaleiro que pediu para não ter a identidade revelada, está em pânico. “Eles (bandidos) chegam de fuzil para roubar mixaria, R$ 20,00 ou R$ 30,00. Nem quero mais saber disso aqui”, revolta-se o comerciante. Funcionário de uma distribuidora de água e gelo, CCL, 39 anos, perdeu a conta de quantas vezes a loja já foi invadida. “Até grade foi colocada na porta, mas não adiantou nada, a cada 15 dias somos assaltados. Vem um arrastão com gente armada de fuzis leva tudo”, diz. O gerente de uma loja que vende artigo para bicicletas não abre mais aos domingos e fecha o estabelecimento por volta das 16:00hs., no máximo às 17:00hs.

Roubos na região dispararam 67% em abril, segundo os números do ISP
Na região de Vila Isabel, de acordo com números do Instituto de Segurança Pública (ISP), o aumento de roubos saltou de 104, em abril do ano passado, para 174 no mesmo mês deste ano; um crescimento de 67%. Em nota, a 20ª DP (Vila Isabel) disse que há investigações sobre roubos na região. Diligências são realizadas para identificar os autores e a unidade ainda orienta às vítimas que não deixem de registrar roubos. Um dono de uma mercearia na área diz que os seus fregueses não frequentam mais o estabelecimento por causa do medo da violência. “Chegam de fuzil e esculacham a gente. Roubaram o celular de R$ 3.000,00 mil do meu filho. Rastreamos pelo GPS e o aparelho estava no Morro do Sampaio”, disse ele.

Outra área em que os casos de violência têm chamado a atenção, a Linha Amarela começou a ter o patrulhamento especial com motos na quarta-feira (25). Logo no primeiro dia, quatro pessoas que seriam de uma mesma família foram presas acusadas de praticar roubos na via expressa, onde a adolescente Ana Beatriz Frade, de 21 anos, foi morta no mês passado. O patrulhamento será feito em dois turnos ao longo da via e nos principais acessos por 14 duplas em motos, das 07:00hs., às 23:00hs. O DIA percorreu longo trecho na quarta-feira (25), e não cruzou com os policiais em movimento, apenas parados nos acessos que ligam a via expressa a bairros da região.

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