segunda-feira, 2 de maio de 2016

Secretaria Municipal de Meio Ambiente não participou de projeto de ciclovias

Para instituição, falta padronização das pistas para bike no país.


Após queda de parte da Ciclovia Tim Maia, ciclistas 
disputam espaço com veículos na Avenida Niemayer.
O DIA

Rio - Responsável pelo avanço da malha cicloviária carioca, a Secretaria Municipal de Ambiente (SMAC) do Rio não participou do projeto da Ciclovia Tim Maia, que desabou parcialmente no feriado de 21 de abril. A queda causou a morte do gari comunitário Ronaldo Severino da Silva e do engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque. A pista de 3,9 kms, que custou R$ 44.700.000,00 foi concebida e executada pela Secretaria de Obras (SMO) em conjunto com a Fundação Instituto de Geotécnica do Rio (Geo-Rio). “Não foi planejada pelo órgão que faz o planejamento cicloviário, que é a SMAC. Por questões da infraestrutura, acabou em diferentes secretarias. Essa falta de articulação prejudica projetos como esse”, lamentou a gerente de projetos do Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP), Danielle Hoppe.


Segundo ela, a falta de um padrão brasileiro para a implementação de ciclovias está entre os problemas para a expansão das pistas destinadas à bicicleta. “Há diretrizes e cadernos de sinalização viária do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), do Ministério das Cidades, que são sugestões, mas nenhum é lei”, alerta Danielle. As recomendações federais não foram consideradas no projeto da Ciclovia Tim Maia e nem na ciclorota em construção do Elevado do Joá, que ligará São Conrado à Barra da Tijuca, que tem aproximadamente apenas dois metros de largura.

No ‘Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas’ publicado em 2009 pelo Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), do Ministério dos Transportes, no item de recomendações para atender adequadamente ao tráfego de bicicletas é indicado largura de três metros para ciclovia de mão dupla. “A pouca largura para a ciclovia e a excessiva proximidade dos veículos trafegando no elevado com velocidade até 80km/h, inviabilizam a segurança de ciclistas e pedestres na ciclovia”, adverte o engenheiro Nelson Araújo Lima, que trabalhou 25 anos na Divisão de Estruturas da SMO.

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