terça-feira, 3 de maio de 2016

Rodrigo Janot pede abertura de inquérito para investigar Aécio Neves

Eduardo Cunha e Edinho Silva também estão na mira da procuradoria. Pedido é baseado na delação do Senador Delcídio do Amaral.


Caroline Dulley
Brasília, DF

Com base na delação premiada do senador Delcídio do Amaral, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de mais quatro inquéritos para investigar políticos na Lava Jato. Entre eles, estão citados Aécio Neves, Eduardo Cunha e Edinho Silva. Os pedidos de abertura de inquérito trazem nomes que, até agora, não são investigados pela Lava Jato, como o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, o deputado Marco Maia, do PT, e o ex-senador pelo PMDB, Vital do Rego, atual ministro do Tribunal de Contas da União. A lista também inclui políticos já investigados. Esse é o caso de Edinho Silva, do PT, atual ministro da Comunicação Social, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB. Cabe agora ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, a decisão de abrir ou arquivar as investigações.

Os pedidos do procurador Rodrigo Janot são baseados na delação de Delcídio do Amaral.
Em um dos depoimentos, Delcídio disse que foi orientado por Edinho Silva, então tesoureiro de Dilma nas eleições de 2014, a esquentar notas de dívidas de campanha, simulando ter recebido dinheiro de um laboratório farmacêutico. Em nota, Edinho Silva disse que sempre agiu de maneira ética, correta e dentro da legalidade, e que as afirmações de Delcídio são mentiras escandalosas e que jamais orientou o senador a esquentar doações. Sobre o deputado Marco Maia e o ex-senador Vital do Rego, Delcídio acusou os dois de pedir propina a empreiteiros em troca de derrubar requerimentos desfavoráveis na CPI mista da Petrobras, em 2014, da qual Marco Maia foi relator e Vital do Rego, presidente.

Em nota, Marco Maia disse que é vítima de uma mentira deslavada e descabida. Vital do Rego afirmou que repudia as ilações associadas a ele e que está disposto a dar esclarecimentos. Sobre Eduardo Cunha e Aécio Neves, Delcídio afirmou que soube de um grande esquema de corrupção, com pagamento de propina, envolvendo os dois na diretoria de Furnas. Delcídio contou que o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, operacionalizava pagamentos a favor de Aécio Neves, mas o delator não sabe como os repasses eram feitos. Em nota, Aécio disse que as investigações vão demonstrar a correção de sua conduta e que as afirmações de Delcídio tratam de temas antigos, que já foram investigados e arquivados.

Já Eduardo Cunha, de acordo com o Ministério Público, teria alterado a legislação do setor energético em 2007 e 2008 para permitir que Furnas comprasse as ações de uma empresa de um operador ligado a ele. O deputado Eduardo Cunha afirmou que o procurador-geral da República continua despudoradamente seletivo e que se o critério fosse a delação do senador Delcídio, o procurador deveria ter aberto inquérito para investigar a presidente Dilma, citada por Delcídio por práticas de obstrução à Justiça. E em outro inquérito já aberto pelo Supremo Tribunal Federal, além de Eduardo Cunha, nove aliados dele serão investigados por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Alguns são ex-deputados. Outros são parlamentares que dão suporte a Cunha no Conselho de Ética, onde ele responde a um processo de cassação de mandato.

Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, os aliados de Cunha tentaram pressionar grupos empresariais através de requerimentos em comissões, inclusive na CPI da Petrobras, para beneficiar um doleiro ligado ao presidente da Câmara. O deputado Eduardo Cunha declarou que desconhece o conteúdo do inquérito e desmente as suposições veiculadas. A defesa do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, afirmou que a citação de seu nome é mera especulação do senador Delcídio sem o menor amparo na realidade e que os fatos relacionados a furnas vem sendo investigados há mais de dez anos e nunca se chegou a qualquer indício de participação de Dimas Toledo em distribuição de recursos.

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