sábado, 14 de maio de 2016

Presidente interino da Câmara afirma que não renuncia

Todos os dias Waldir Maranhão é pressionado a renunciar. 
Desde o afastamento de Cunha, plenário não vota projetos.


Aumentou a pressão para que Waldir Maranhão, do Partido Progressista, deixe a Presidência Interina da Câmara, mas ele diz que não vai renunciar. Desde 5 de maio, data do afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara, o plenário não vota nenhum projeto. Tudo por causa da rejeição ao vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, do Partido Progressista, que assumiu interinamente o comando da casa. Todos os dias ele é pressionado a renunciar, e na sexta-feira (13) se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o assunto. “Não tem renúncia, sem renúncia”, afirmou o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão.



O Democratas e o PSD apresentaram um pedido para que o Conselho de Ética abra processo por quebra do decoro parlamentar contra Maranhão. Alegam que ele abusou do poder de presidente da Câmara ao mandar suspender o processo de impeachment, ignorando os votos de 367 deputados, e que o caso já estava no Senado. O PP, partido de Maranhão, também ameaça expulsar o deputado. “É inaceitável que o deputado maranhão transite como vice presidente da casa. Não é possível que essa posição continue dessa forma a partir de segunda-feira”, afirma o deputado Julio Lopes (PP-RJ).

As duas ações não tem efeito rápido. O processo de cassação de mandato pode durar meses e, mesmo que seja expulso de seu partido, Maranhão pode se manter no cargo graças a um entendimento já adotado pela Câmara. Só que o novo governo tem pressa em aprovar as propostas de ajuste da economia, que devem chegar a partir de terça-feira que vem (17). Surgiu então uma proposta alternativa: se não dá pra tira-lo o jeito é ir com ele, mas esvaziado de poder. Ele seria convencido a não comandar as votações no Plenário e nem as reuniões de líderes. Seria uma espécie de presidente decorativo. O primeiro-secretário, deputado Beto Mansur, do PRB, presidiria as votações. “Vamos dar 15 dias de trégua para gente poder ver se esse caminho que a gente está seguindo funciona”, declarou o deputado Beto Mansur.

Beto Mansur apresentou a proposta ao presidente em exercício, Michel Temer, que disse que publicamente não vai fazer nenhum movimento que seja visto como interferência nas decisões da Câmara. O Democratas e o PSDB não gostam da proposta, mas pensam em aceitar a solução para não prejudicar as primeiras votações de interesse do novo governo. O líder do PSDB considera que o caminho para resolver o impasse de vez é a Comissão de Constituição e Justiça declarar o cargo de presidente da Câmara vago. Com isso, haveria nova eleição, tirando Eduardo Cunha e Waldir Maranhão do caminho. “Uma nova eleição para o substituto do próprio Eduardo Cunha. Há uma convicção aqui muito grande de todos que ele não volta mais. A ação penal vai ultrapassar o dia 31 de janeiro do ano que vem quando acaba o mandato dele, né, então, a partir dessa convicção de que há vacância, elege um novo presidente da Casa”, declarou o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA).

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