quinta-feira, 19 de maio de 2016

PM morto tinha inimigos na milícia e no caça-níquel, segundo polícia

Agentes da Delegacia de Homicídios também 
pediram imagens dos eventos festivos ocorridos no clube.


A Delegacia de Homicídios realizou perícia no Clube 
Novo Rio Country, no Recreio, onde houve troca de tiros.
BRUNA FANTTI

Rio - A Polícia Civil analisa imagens das câmeras de segurança do Rio Country Club, no Recreio dos Bandeirantes, onde na última terça-feira, o sargento reformado da PM Geraldo Pereira, foi morto. Na execução, um homem com touca ninja fez vários disparos de fuzil. Atingido por dois tiros, Pereira morreu na hora. Agentes da Delegacia de Homicídios também pediram imagens dos eventos festivos ocorridos no clube nos últimos meses para traçar a rede de relacionamentos de Pereira, sócio de uma academia no local. Policiais civis infiltrados também foram ao enterro do agente, ocorrido ontem no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Pereira chegou a ser expulso da corporação em 1997 após ser filmado, com outros colegas de farda, espancando um morador da Cidade de Deus. Acabou reintegrado cinco anos depois, com recurso judicial. Em 2005 foi cedido para integrar a Divisão Anti-Sequestro da Civil, onde se aproximou do inspetor Hélio Machado da Conceição, o Helinho, que estava ao lado de Pereira no momento do atentado. Helinho continua internado, sem gravidade.


Há duas linhas de investigação para o ataque contra Pereira: a disputa pelo lucro da exploração de gás e segurança das milícias na Zona Oeste; e a rede de máquinas caça-níqueis. Pereira seria um dos controladores da milícia de Curicica e ganharia cerca de 5% da exploração dessas máquinas nas favelas de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes. O grupo de Pereira teria se desentendido com milicianos da Boiúna, em Jacarepaguá, que seriam os autores da execução. Investigadores também apuram se a morte do ex-tenente da Polícia Militar, João André Martins, que chegou a atuar no Bope, tropa de elite da PM, teria sido ordem do sargento inativo.

Martins, que foi expulso da corporação após envolvimento com caça-níquel, foi assassinado na Ilha do Governador, Zona Norte, em março deste ano. Seria de Martins a segurança das máquinas na Zona Sul. No mês seguinte, Wilson Orofino de Souza, 35 — cujo pai, o falecido bicheiro Antonio Português, gerenciava as máquinas da Zona Sul na década de 1990 — foi morto em Copacabana.

Há a suspeita que Orofino tenha herdado o controle das máquinas do pai e estaria ligado ao ex-tenente morto, sendo assim, rival de Pereira. Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil, disse que a polícia está perto de solucionar o caso. “Conversei com o delegado da Divisão de Homicídios e ele está otimista com o desfecho.”

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