segunda-feira, 30 de maio de 2016

Moradores reclamam de problemas causados pela obra do Elevado do Joá

Mansão de altíssimo luxo, com pelo menos quatro pavimentos e vista cinematográfica para o Oceano Atlântico, está com rachaduras por todos os lados.


A família de Lindbergh Senna, 81 anos, deixou de alugar a mansão no Joá para magnatas 
de Dubai, por US$ 100.000,00 (R$ 361.000,00) durante os Jogos Olímpicos do Rio.
MARLOS BITTENCOURT

Rio - A obra do novo Elevado do Joá, batizado Presidente Itamar Franco, e inaugurado ontem pelo prefeito Eduardo Paes, pode ter favorecido os motoristas que trafegam entre a Zona Sul do Rio e a Barra da Tijuca. Mas continua um tormento na vida da família da empresária Cristiana Senna, 45 anos, moradora do condomínio Jako, na Rua Jackson de Figueiredo, no Joá. Segundo ela, as constantes explosões para a aberturas da via provocaram prejuízo de mais de meio milhão de reais aos proprietários do imóvel. A mansão de altíssimo luxo, com pelo menos quatro pavimentos e vista cinematográfica para o Oceano Atlântico, está com rachaduras por todos os lados. A dona da casa diz que o problema não é estrutural. Mas estético. “O meu piso é cerâmica de Francisco Brennand (artista plástico), é raro, não existe mais. E está todo rachado, o piso da piscina afundou. Os cristais quase todos se quebraram, principalmente o da porta aqui de casa, que é belga. Fizemos o orçamento da reforma, nos cobraram R$ 538 mil para fazer”, relata Cristiana. A empresária diz que, além do prejuízo causado pelas rachaduras, a família deixou de alugar a mansão para uma família de magnatas de Dubai, por US$ 100.000,00 (R$ 361.000,00) durante os Jogos Olímpicos do Rio, devido aos problemas. “Perdemos a oportunidade de alugar porque não há condições de receber pessoas”, reclama.

Cristiana Senna vive com os pais desde 1979 na mansão avaliada em R$ 18.000.000,00. A briga com a Odebrecht, construtora responsável pela obra, segundo ela, se arrasta há mais de um ano. “Várias casas do condomínio estão com este problema. Os engenheiros da empresa estão nos enrolando, tivemos até de chamar um advogado para resolver na Justiça”, afirma Lindbergh Senna, 81 anos, pai de Cristina.

Polêmicas à parte, o novo acesso da via expressa que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca ampliará em 35% a capacidade de trânsito, facilitando o deslocamento dos cerca de 85 mil veículos que passam por lá diariamente na região. A obra custou cerca de R$ 500.000.000,00. A travessia será encurtada em 60%, segundo a prefeitura, no tempo de viagem do sentido Barra, no período da manhã. Já à tarde, no trecho do Joá, a redução poderá chegar a 20%, em média. No sentido contrário, o tempo de viagem será reduzido em 10%. A velocidade máxima na pista inferior será de 80 km/h. Na superior, a máxima será de 50 km/h. As medidas de segurança incluem fiscalização eletrônica. O elevado terá tráfego diário em três faixas para cada sentido, sendo que entre 23:30hs., e 04:30hs., uma pista de cada lado será fechada para manutenção.

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