domingo, 29 de maio de 2016

Mal silencioso: Veja 10 mandamentos para enfrentar a hipertensão

Doença, que atinge cerca de 30 milhões de brasileiros (15% da população) pode provocar complicações que levam à morte.


Veja 10 cuidados para enfrentar a hipertensão.
WILSON AQUINO

Rio - Quando o coração bate, contrai e bombeia sangue, pelas veias, para o restante do corpo. É a vida pulsando no peito. Esse movimento gera uma pressão sobre as artérias, cujo valor ideal é de 12x8. Porém, quando as veias sofrem algum tipo de resistência, perdendo a capacidade de contrair e dilatar, ou então quando o volume sanguíneo se torna muito alto, exigindo uma velocidade maior para circular, acontece a hipertensão. Essa doença, que atinge cerca de 30 milhões de brasileiros (15% da população), pode provocar complicações que levam à morte. A hipertensão não tem cura, mas tem tratamento. A Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) recomenda medidas simples para a prevenção. O grande desafio da medicina, entretanto, é convencer o paciente a controlar a pressão e, quando for tarde demais, a nunca suspender o tratamento por conta própria, mesmo que não esteja sentindo nada. Afinal, como dizem os médicos a hipertensão é um “mal silencioso”“Uma úlcera no estômago é fácil de tratar porque dói. No caso da hipertensão, o sintoma surge em fase tardia, quando já existe um comprometimento”, explica o cardiologista Carlos Alberto Machado. E, para piorar, não existe sintoma específico.

“A dor de cabeça, por exemplo, acontece em outros casos, não tem uma relação direta com a hipertensão. Tontura também pode ser pressão baixa”, alerta o presidente da SBH, Mario Fritsch Neves, afirmando que as pessoas devem medir a pressão, pelo menos, uma vez por ano. “Existem aparelhos eletrônicos validados pela SBH, mas eles servem apenas para alertar”, adverte Neves, salientando que o diagnóstico tem que ser feito pelo médico. Segundo a SBH, 95% dos casos de hipertensão são ocasionados por uma conjunção de fatores, entre os quais, o excesso de sal e o ganho de peso, além do componente genético. O problema se acentua no país porque mais da metade dos brasileiros está acima do peso, sendo que um terço sofre de obesidade. Estudo inédito, publicado pela revista científica britânica ‘Lancet’ sobre a obesidade, revela um total de quase 30 milhões de brasileiros adultos obesos. Esse número coloca o Brasil como um dos líderes no ranking de países mais obesos do mundo, sendo o terceiro entre as mulheres e o quinto entre os homens. “Por causa da obesidade, vemos hipertensos cada vez mais jovens. Antes, a doença se manifestava a partir dos 40 anos. Tanto que mais da metade dos brasileiros acima dos 60 anos sofre de hipertensão. Hoje, vemos pessoas com 20 anos hipertensas por causa da obesidade”, lamenta Neves, chamando a atenção para o fato de que a obesidade iniciada na infância é a mais difícil de se reverter.

Os estragos causados pela hipertensão na população brasileira são terríveis. “Pelo menos 60% das mais de 100 mil mortes por enfarte registradas anualmente, por exemplo, poderiam ser evitadas caso as pessoas simplesmente controlassem a própria pressão arterial”, reclama o cardiologista Carlos Alberto Machado. O ‘mal silencioso’ também é apontado como vilão em 80% dos cerca de 100 mil derrames, 40% dos casos de insuficiência cardíaca e 37% dos casos de insuficiência renal terminal, que leva os pacientes à diálise. Machado estima que somente 20% dos brasileiros têm a pressão controlada. E admite que o maior desafio para enfrentar a hipertensão é intensificar a prevenção e melhorar a adesão ao tratamento. Ele reconhece a dificuldade. “Temos que convencer o indivíduo que não sente nada, a reduzir o peso, a bebida e ter mais qualidade de vida. O tratamento evoluiu muito nos últimos anos, mas não existe a cultura da prevenção. Temos que criar estratégias para melhorar a adesão ao tratamento e aumentar as taxas de controle. O tratamento é simples e de graça na rede pública”, explica. “Quem para no meio do caminho prejudica o tratamento. O acompanhamento tem que ser para toda a vida”, reforça o presidente da SBH.

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