domingo, 1 de maio de 2016

Eu sei que a ioga faz bem para mim, mas ainda detesto praticá-la


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Pelo meu entendimento, a ioga deveria ser relaxante. Ela é usada como uma forma de terapia física e mental - e eu realmente acredito que funcione para muitas pessoas - mas saio sempre das aulas me sentindo dez vezes mais tensa do que quando entrei. Minha mente fica acelerada, meus músculos ficam tensos, e estou sempre lutando contra a vontade de abandonar a prática por completo. Eu passo a maior parte das aulas escondendo a minha frustração. Este é um exemplo do meu típico diálogo interno durante uma aula de ioga:

Onde alguém compra um CD composto inteiramente de músicas tocadas em flautas de bambu? Quem está gravando estes álbuns? Será que existem estúdios de gravação dedicados a este nicho de mercado no meio de campos tranquilos? No que todo mundo está pensando neste momento? Será que suas mentes realmente estão vazias? Como eles se mantêm conscientes de seus corpos e libertam as mentes de todos os pensamentos ao mesmo tempo? Tudo que essa meditação está fazendo por mim é fazer com que eu me torne extremamente consciente de uma gota de suor que está indo lentamente rumo ao meu cofrinho. Mas sim, eu me sinto relaxada. Legal. Isso é bom.

Ok, eu não estou relaxada ainda, mas vai acontecer. Vai acontecer a qualquer momento. Meu Deus, eu estou tão entediada. Por que ainda não podemos nos mover? Será que eu posso pular este momento? Próxima posição, por favor! Espere, o que todo mundo está fazendo? Eu acho que o instrutor acabou de usar um código secreto de ioga e eu perdi. As pessoas estão se equilibrando com a cabeça? Eu não estou usando o top certo para isso. Ah, agora vamos fazer prancha outra vez. Caramba, meus antebraços estão suados, como eles ficaram tão suados? Eu não posso fazer prancha assim, é um risco muito grande. Eu odeio isso. Quando o relaxamento vai começar? Eu acho que distendi um nervo no meu ombro. Nenhuma posição é confortável, será que meu corpo está quebrado? Eu estou em forma demais para que isso seja tão difícil. Como só se passaram 20 minutos? Eu cometi um erro terrível.

Então, depois da posição savasana, quando todos estão se sentindo revitalizados e flutuam para fora da sala como borboletas voando com seus músculos relaxados e pensamentos felizes, eu saio da aula como um dragão bufando que precisa de uma massagem para se livrar de todos os nós criados por ter se mantido tenso e irritado por uma hora. Eu sei que a ioga não é fácil para ninguém no começo, motivo pelo qual eu continuei me esforçando. Fui a diferentes aulas, conversei com vários instrutores, e tentei incontáveis vídeos de diversos estilos de ioga. Finalmente decidi me comprometer a praticar ioga durante 20 minutos todos os dias, por 30 dias seguidos. Eu acreditava que se conseguisse criar este hábito e visse mais resultados, algo finalmente faria sentido para mim. Então todas as noites, antes de dormir, eu assistia a um vídeo e completava todas as posições. Ao final dos 30 dias eu me senti mais descansada, meu corpo parecia visivelmente mais esguio, e eu claramente havia aumentado a minha flexibilidade, mas no dia 31 eu abandonei aquele vídeo mais rápido do que o tempo necessário para dizer “namastê”.

Ao longo dos anos experimentei mais aulas, aceitei recomendações de vídeos no YouTube, e até tentei uma “ioga intervalada de alta intensidade”, esperando que o ritmo mais intenso impedisse a minha mente de se dispersar, mas nada funcionou. Completei mais três desafios de 30 dias, mas em todas as vezes eu chegava ao dia 31 com um profundo suspiro de alívio, exultante por poder acabar com aquilo. Todas as vezes em que pratiquei ioga de forma constante, eu consegui sentir o meu corpo respondendo. Consegui ver que meus músculos se recuperavam dos meus treinos intensos mais rapidamente e que eu dormia mais profundamente quando fazia ioga antes de me deitar. Eu sabia que aquilo fazia bem ao meu corpo, então eu sofria durante cada minuto de cada aula ou vídeo xingando internamente com a minha mandíbula tensa, minha testa franzida e minha mente gritando. Enquanto eu me mantinha na posição do cadáver, eu tinha que massagear sempre o meu rosto para tentar retorná-lo a uma expressão neutra, porque a ioga parecia imprimir a raiva no meu rosto e ameaçava deixá-lo daquela maneira.

Durante o meu último desafio de 30 dias, imposto por mim mesma, conversei com uma amiga que não apenas havia estado comigo na minha primeira aula, mas desde então havia se tornado uma instrutora de ioga certificada. Eu disse a ela que estava tentando, mais uma vez, me forçar a me apaixonar pela ioga, e perguntei se ela poderia recomendar alguns vídeos ou até programas pagos que pudessem funcionar para mim. Meu tom foi hostil, quase como se eu a estivesse desafiando a encontrar um programa que eu não detestasse. Como uma verdadeira iogue (praticante de ioga), ela foi ridiculamente amável e gentil, e disse, “Rease, talvez ioga simplesmente não seja para você.” Isso foi tão típico de um iogue. Lá estava eu sendo super grossa e ela só disse, “esta não é a sua jornada.”

Esses iogues… até quando você está frustrado eles estão preocupados com o seu bem-estar. Eu entendo que a ioga é muito boa para o meu corpo e tem uma infinidade de benefícios para a saúde, mas eu odeio praticá-la. Muitos destes benefícios são supostamente mentais e espirituais, mas tudo que a ioga faz por mim é me transformar em um monstro da raiva, então se alguém tentar me convencer a ir a outra aula de ioga, vou simplesmente dizer: “De jeito nenhum,” e seguir em frente.

xoJane
br.vida-estilo.yahoo.com