segunda-feira, 16 de maio de 2016

CUT recusa convite de Temer para discutir reforma na Previdência Social

Em nota, central disse que não 'reconhece golpistas como governantes'Presidente em exercício chamou sindicalistas para reunião no Planalto.


Do G1, em Brasília

Aliada da presidente afastada Dilma Rousseff, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou, por meio de nota, que recursou o convite do presidente em exercício Michel Temer uma reunião que foi realizada na tarde desta segunda-feira (16) no Palácio do Planalto para discutir uma reforma na Previdência Social. No comunicado, o presidente da central sindical, Vagner Freitas, afirma que "não reconhece golpistas como governantes".

A equipe econômica montada por Temer tem dito, desde que o peemedebista assumiu interinamente a Presidência na última quinta (12), que uma das prioridades do governo será fazer uma reforma nas regras previdenciárias. O encontro desta segunda-feira com as centrais é uma tentativa de Temer de reduzir a resistência dos sindicalistas a mudanças nas regras previdenciárias. O peemedebista pretendeu usar a reunião para apresentar propostas e ouvir sugestões. Segundo auxiliares, a ideia é demonstrar que as centrais serão ouvidas e participarão do processo. Confirmaram presença no encontro representantes das centrais UGT e Força Sindical. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Henrique Meirelles (Fazenda) e Ronaldo Nogueira (Trabalho) também acompanhou a conversa com os sindicalistas. "[A CUT] não foi à reunião que Michel Temer chamou para esta segunda feira com as centrais sindicais. A CUT vai continuar defendendo os interesses da classe trabalhadora, principal vítima do golpe, exigindo a volta do Estado do Direito e do mandato da presidenta Dilma, legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos", afirmou o presidente da CUT na nota. A central sindical disse ainda que, na opinião dela, a "luta contra os retrocessos pretendidos e anunciados" será travada pelos movimentos sociais nas ruas e nos locais de trabalho.

Idade mínima
Uma demonstração de que mudanças no setor serão um dos focos do presidente em exercício foi a incorporação da Secretaria de Previdência Social ao Ministério da Fazenda. Antes, a área integrava o Ministério do Trabalho. Na última sexta (13), o ministro da Fazenda defendeu que se estabeleça uma idade mínima para aposentadoria pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). De acordo com Meirelles, a medida é fundamental para garantir o financiamento da Previdência. "Haverá uma idade mínima de aposentadoria. O que precisa é uma determinação de governo. Vamos fazer. E apresentar uma proposta factível para sociedade. Idade mínima com uma regra de transição," ressaltou o titular da Fazenda.

A proposta de estabelecer uma idade mínima para aposentadoria foi criticada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), presidente nacional da Força Sindical e um dos principais articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em nota divulgada à imprensa na última sexta-feira (13), Paulinho chamou de "estapafúrdias" e "inoportunas" as propostas do ministro da Fazenda para a área previdenciária. "A estapafúrdia ideia defendida pelo atual ministro é inaceitável porque prejudica quem ingressa mais cedo no mercado de trabalho, ou seja, a maioria dos trabalhadores brasileiros. Vale lembrar que o último governo já fez mudanças no regime da Previdência que só resultaram em prejuízos para os trabalhadores", escreveu Paulinho em um dos trechos da nota.
  
Direitos de aposentados
Na última sexta (13), o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu modificações nas regras previdenciárias. Ele não deu detalhes das medidas que serão tomadas, mas disse que o governo não pretende diminuir a remuneração de quem já está aposentado. "Já se tomou a decisão técnica da maior importância que é construir algo sustentável. Por que queremos uma Previdência sustentável? Porque queremos que o aposentado de hoje e de daqui a 10 anos possa receber na integralidade o que deve receber. Não queremos que aconteça o que aconteceu na Grécia, que reduziu pagamento de quem já estava aposentado”, afirmou.

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