domingo, 17 de abril de 2016

Praia de Copacabana tem protestos a favor e contra o governo neste domingo

De manhã, a passeata é contra o impeachment 
de Dilma; à tarde, é a vez de quem é a favor.


O marceneiro Leandro Waillison e o vendedor de amendoim 
Reinaldo Fonseca: pró e contra o impeachment
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
BRUNA FANTTI

Rio - Na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio, onde vão ocorrer hoje as manifestações pró e contra o impeachment, a política era o assunto mais debatido nos quiosques e na areia da praia. Há 32 anos vendendo amendoim na praia, Reinaldo Alves Fonseca, 41 anos, disse que mantém sua opinião velada para não afastar clientes. “Sou contra a saída da Dilma. Quando vendo amendoim, acabo escutando conversas e muitos clientes querem a saída da presidente. Não sei os motivos. Sei que confio na democracia e ela foi eleita. Isso tem que ser respeitado”, afirmou, de camisa vermelha, cor da legenda petista.

Já o marceneiro Leandro Waillison, 23, afirmou que não está contente com o governo e concorda com os chamados ‘coxinhas’. “O pedido de impeachment é por essa roubalheira aí. Lava Jato, Petrobras, foi muito dinheiro roubado. Ela tem que sair”. Nenhum dos dois mencionou as pedaladas fiscais que sustentaram o pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Sobre a manifestação, ambos afirmaram que não vão comparecer. “Acho que vai ter muita confusão, vai ser difícil trabalhar”, disse Fonseca. Waillison, que usava um boné de marca e correntes de prata, curtia a praia com amigos em uma pescaria, e concordou. “Acho que não vai dar certo colocar duas manifestações no mesmo local, com horários próximo”, disse. Em tom amistoso, os dois toparam deixar somente no campo das ideias a divergência política e posaram juntos para uma foto. A Polícia Militar, no entanto, está preparada caso o tom amistoso dos dois grupos não seja mantido. Informações repassadas ao serviço secreto da corporação — que o DIA confirmou com unidades operacionais — apontam que há possibilidade de arrastões na orla para desestabilizar. Policiais também se preparam para evitar brigas ou atos de depredação em órgãos públicos, que terão o policiamento reforçado.

Os informes foram passados ao Disque-Denúncia, que disponibilizará o seu canal de atendimento do WhatsApp do Portal dos Procurados (21- 96802-1650), para receber informações sobre possível desordem e atos de vandalismo que ocorram durante as manifestações. Agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) também vão usar o aplicativo de conversa da agência, conhecido como ‘whatsbin’, para monitorar as manifestações de hoje. O monitoramento dos protestos já é realizado pela agência desde o período da Copa do Mundo, em 2014.

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