quarta-feira, 27 de abril de 2016

População pede a demolição definitiva da ciclovia Tim Maia

Prefeitura afasta Concremat de novas concorrências públicas 
até que as investigações sobre desabamento sejam concluídas.


Projeto básico usado na construção da ciclovia, 
que desabou, não possuía relatório de análise de riscos.
BRUNA FANTTI 
E WILSON AQUINO

Rio - “Essa ciclovia está condenada. Tem que demolir!”. O veredito é da arquiteta e urbanista Ana Teresa Nadruz, autora de uma petição pública em favor da demolição total da ciclovia Tim Maia, ligando o Leblon a São Conrado, que está conquistando cada vez mais adesões na internet. Segundo a arquiteta, que tem 40 anos de experiência em gerência de projetos, com 22 shoppings centers e mais de 30 prédios construídos, são tantos os erros na concepção ou na execução do projeto que a obra, que custou cerca de R$ 44.700.000,00, deveria virar entulho. Para a arquiteta, a ciclovia que desabou na última quinta-feira, matando duas pessoas, jamais poderia ter sido construída à beira-mar e muito menos ter sido montada com estruturas pré-moldadas. “Isso é para quem tem pressa. Os shoppings são feitos com pré-moldados. Só que não estão sujeitos às intempéries do mar”, critica Ana Teresa. Ela disse ainda que nem se a pista estivesse parafusada resistiria ao “soco no queixo de baixo pra cima, que levou das ondas”. Na avaliação dela, a pista é perigosa tanto para pedestres quanto para ciclistas. “Um corredor estreito que tem o precipício de um lado e uma pista de automóveis do outro. Não tem saída, rota de fuga, nada”, alerta. Quem quiser assinar a petição deve acessar o link: http://www.peticaopublica.com.br.

Fora da concorrência
A prefeitura afastou as empresas Contemat e Concrejato, do grupo Concremat, de todos os processos de contratação e licitação de obras de estrutura, enquanto durarem os trabalhos de apuração das responsabilidades técnicas pelo acidente da ciclovia. A decisão será publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial. Além disso, todos os pagamentos destinados às duas empresas estão retidos. O decreto determina que os responsáveis técnicos do consórcio que trabalharam na obra da via da Niemeyer sejam afastados de qualquer contrato firmado com a prefeitura. O projeto executivo da ciclovia, obtido pelo ‘RJTV’, não possuía relatório de análise de riscos, que previssem o impacto da ressaca. Outra irregularidade foi a ausência de assinaturas dos responsáveis técnicos pelo projeto.

MP investiga improbidade na contratação
O Ministério Público do Rio instaurou na terça-feira inquérito para apurar possíveis atos de improbidade administrativa na contratação da Concremat, no acordo feito entre a empresa e a Geo-Rio. A investigação vai apurar as circunstâncias da contratação, por meio de licitação de menor preço, e condições técnicas. A Concremat possui tradição em obras de reparos e, a ciclovia, era a primeira grande obra na gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB), dos 54 contratos firmados pela construtora com o município desde 2009. Os outros contratos eram de reformas, sendo que 46% foram feitos sem licitação. A vereadora Teresa Bergher (PSDB) entrou ontem com petição civil pedindo a demolição da ciclovia, e a devolução aos cofres públicos do dinheiro pago à construtora.

Músico responsabiliza ciclistas pelo acidente na via
Um comentário feito pelo vocalista Roger, da banda Ultraje a Rigor, sobre o acidente na ciclovia, conforme noticiou o ‘Informe do DIA’, gerou revolta nas redes sociais. “Não quero culpar ou desculpar ninguém, mas os próprios ciclistas não viram a ressaca?”, disse Roger, que tem 635 mil seguidores no Twitter. A reação foi imediata. “Não quero culpar e nem desculpar ninguém, mas os sem-terra não viram os policiais chegando armados em Eldorado dos Carajás?”, postou usuário, lembrando o massacre no Pará, em 1996. Outras mensagens foram feitas em relação ao rompimento da barragem em Mariana, em 2015, e outras tragédias.

Roger alegou que foi mal-interpretado. “Deve irritar gentinha como vocês, sem a menor perspectiva de ser alguém ou algo na vida e que mal sabe organizar um pensamento”, diz.

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