segunda-feira, 11 de abril de 2016

Impeachment: Começa a pior fase de Dilma

Na semana decisiva para o destino do governo, autoridades de segurança resolvem erguer duas muralhas de um quilômetro de extensão no centro de Brasília para separar manifestantes contra 
e a favor do afastamento da presidente.


Painéis em frente ao congresso exibem votos a favor do impeachment
O DIA

Rio - O impeachment dividiu o Brasil e ergueu duas muralhas de lata no coração político do país. Literalmente. Autoridades de Segurança Pública do Distrito Federal anunciaram ontem que colocarão dois enormes alambrados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para separar manifestantes contra e a favor do afastamento da presidente Dilma. Entre os dois lados, haverá um corredor de 80 metros de largura e um quilômetro de extensão para a circulação exclusiva da polícia. “Isso reflete o clima de apartheid que estamos vivendo”, resume Marisa von Büllow, professora da Universidade de Brasília e estudiosa da história dos movimentos sociais. “Vivemos um momento de intolerância em que esse muro político simboliza a dificuldade de diálogo entre os dois lados”, completa a pesquisadora.

Os muros serão instalados até a sexta-feira quando começa a votação no plenário da Câmara. Hoje, os 65 deputados federais da Comissão Especial do Impeachment votam o relatório que pede o afastamento da presidente. O governo já prevê derrota na Comissão e luta por vitória no plenário da Câmara, onde os 513 parlamentares têm direito a voz e voto. Levantamento do jornal ‘Estado de S. Paulo’ mostra que, até agora, a presidente Dilma conta com o apoio de 115 deputados. A oposição precisa de 342 votos. Até agora, conta com 288. Governistas e oposicionistas passarão a semana tentando convencer os 110 indecisos.

A pressão virá também das ruas. Desde ontem, manifestantes pró-impeachment pregam cartazes na frente do Congresso com o retrato de cada um dos parlamentares e suas preferências no placar que divide o Brasil. Alguns, terminarão a semana no time dos faltosos. Caso de Washington Reis (PMDB-RJ) que está com a gripe H1N1.

A construção de alambrados no meio da Esplanada dos Ministérios reflete o clima de apartheid político do país e violenta a amplidão urbanística de Brasília, mas oferece trabalho para um grupo de excluídos sociais. Os “muros de lata” estão sendo erguidos por 30 prisioneiros que cumprem pena em regime semi-aberto. Ontem, eles trabalharam monitorados por policiais militares e se protegeram do sol colocando camisetas brancas sobre a cabeça. Não puderam dar entrevista nem comentar a estratégia de separação dos manifestantes contra e a favor do impeachment.


Instalado pelo Vem Pra Rua, placar também mostra os votos pró-Dilma

“Estamos seguros que essa distribuição geográfica é a mais racional e a que oferece melhores condições de operacionalidade para as forças de segurança”, afirmou a secretária de Segurança Pública do Distrito Federal, Márcia de Alencar. Ela contou que três mil policiais militares farão a segurança das manifestações, além de 700 agentes civis e do apoio da Força Nacional de Segurança. “É importante que todos sigam as orientações do efetivo que estará na Esplanada para que seja garantido um clima de paz”. Paulo César Marques, professor da Universidade de Brasília, especialista em mobilidade urbana, considera positivo que manifestações políticas mudem a paisagem da cidade e acha que a ideia de erguer cercas para conter os ânimos é um pouco medieval, mas pode ser eficaz no clima político do país. “Parece torcida de futebol, mas de fato o ambiente está muito acirrado. O muro evita o conflito numa área tão grande como a Esplanada. Pode ser que dê certo”, analisa.


Arte mostra como ficará Brasília no dia da votação. Foto: Arte O Dia.

O Distrito Federal montou uma operação de guerra para as manifestantes e prevê que mais de 300 mil pessoas protestem na Esplanada em cada um dos dias de votação. Nenhum manifestante poderá chegar ao gramado do Congresso nem à Praça dos Três Poderes. “Temos que proteger o patrimônio público”, diz o coronel da PM, Alexandre Sérgio.

Brasília prepara operação de guerra para a 
votação do impeachment na Câmara

A ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS ficará dividida a partir da sexta-feira, dia 15. Dois alambrados, com um corredor no meio, e centenas de policiais irão separar manifestantes a favor e contra o impeachment.

MANIFESTANTES A FAVOR do impeachment ficarão do lado direito do Congresso. O ponto de concentração será o Museu da República. Os contrários ficarão do lado esquerdo e se concentram no Teatro Nacional.

UM CORREDOR com 80 metros de largura e um quilômetro de extensão irá separar as duas áreas de manifestantes. Apenas equipes de segurança poderão circular por esse corredor.

ACAMPAMENTOS não serão permitidos . Nem megafones nem bonecos e patos infláveis. Carros de som estão autorizados em pontos específicos.

A votação do impeachment na Comissão é hoje. 
No plenário, ela começa na sexta.

A COMISSÃO ESPECIAL do impeachment na Câmara é formada por 65 deputados. Eles votam hoje o relatório que pede abertura do processo de afastamento da presidente.

A APROVAÇÃO na Comissão é por maioria simples. O governo já contabiliza que irá perder nessa etapa. Independentemente do resultado na Comissão, o relatório segue para votação no plenário da Câmara.

NO PLENÁRIO DA CÂMARA a votação começa na sexta e deve terminar no domingo. Todos os 513 deputados têm direito a voz e voto.

A PRESIDENTE DILMA precisa de 171 votos para o processo de impeachment ser arquivado. Caso contrário, ele irá para o Senado Federal, onde nova comissão examina o caso.

Reportagem de Ana Beatriz Magno
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