terça-feira, 26 de abril de 2016

Dilma pode ser afastada em 11 de maio

Senadores escolheram ontem integrantes da comissão 
especial que irá analisar o impeachment da presidente.


Em votação simbólica, senadores elegeram comissão 
especial que analisará impeachment de Dilma.
O DIA

Brasília - O afastamento da presidente Dilma Rousseff pode ocorrer mais cedo do que o previsto. Indicado para presidir a Comissão de Impeachment, o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) afirmou ontem que a abertura do processo no Senado deve ser votada em 11 de maio e não no dia 17, como definido anteriormente. Lira considera que a antecipação das datas será possível porque ele espera votar o relatório do impeachment na comissão no dia 6 de maio. Caso o calendário se confirme, Dilma poderia ser afastada da presidência no mesmo dia. Ela fica fora da Presidência da República durante todo o processo de julgamento que, pode durar até 180 dias. Nesse período, o vice-presidente Michel Temer assume.

ELEIÇÃO
Na segunda-feira, em rápida votação simbólica, o plenário do Senado elegeu os integrantes da Comissão que tratará do pedido contra a presidente Dilma Rousseff. Foram eleitos 42 integrantes, 21 titulares e 21 suplentes. Uma vaga de suplência, que é do PMDB, está em aberto. O governo tem franca minoria na comissão — apenas cinco dos 21 senadores são contrários ao afastamento da presidente. O senador Raimundo Lira já convocou a primeira reunião do colegiado para às 10:00hs., de hoje. O encontro promete ser tenso. Os petistas querem barrar a indicação do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) para o cargo de relator. Eles consideram que o tucano não tem legitimidade para conduzir o processo porque já teria declarado voto pelo afastamento de Dilma. “Solicito a suspensão do senador Anastasia e de qualquer senador indicado pelo PSDB, não por motivos pessoais contra o ilustre senador, mas por não possuir a isenção necessária”, solicitou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “O senador Anastasia é professor de Direto e um homem qualificado e equilibrado para a função”, rebateu o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu ontem que divergências quanto à escolha do relator devem ser resolvidas entre os integrantes da comissão. Ele também sinalizou que não irá interferir nas decisões do colegiado. “Essa decisão é da economia interna da comissão. Os líderes indicaram os nomes e eles devem conversar sobre quem será o presidente e quem será o relator”, afirmou Renan, disse. Outra divergência entre os senadores é quanto aos prazos do processo. Enquanto governistas defendem que o rito se cumpra em dias úteis, na tentativa de acelerar o processo, a oposição quer que as datas sejam contadas em dias corridos.

Michel Temer ganha tempo
Apenas 14 dos 65 membros da comissão especial do impeachment do vice-presidente Michel Temer foram indicados pelos partidos da Câmara até ontem. O pedido foi feito há cerca de 20 dias por determinação do Supremo Tribunal, mas as indicações partidárias ainda se arrastam. Até o momento, apenas PT, REDE, PCdoB, PEN, PMB, PSOL e PTdoB fizeram indicações - restam 51 nomeações. No caso de Dilma, todas as sugestões foram feitas em menos de um dia. O tema foi destaque nas discussões do Senado, como prerrogativa para a continuidade do pedido de afastamento da presidente Dilma. Seis senadores chegaram a condicionar um tema ao outro, mas a iniciativa foi rejeitada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros.

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