sábado, 2 de abril de 2016

Dilma perde principal aliado e fica por um triz do impeachment


AFP
Por Damian WROCLAVSKY

A presidente Dilma Rousseff perdeu na terça-feira seu principal aliado, o PMDB, alinhado majoritariamente com o vice-presidente, Michel Temer, e ficou um pouco mais próximo de um processo de impeachment no Congresso. O PMDB decidiu por aclamação "a imediata saída do governo com entrega imediata de cargos", proclamou o senador Romero Jucá (PE), que presidiu a reunião de menos de três minutos do diretório nacional da organização, em Brasília.

"Brasil presente, Temer presidente!", gritaram os correligionários leais a Temer, que poderá assumir o poder, se Dilma for destituída sob a acusação de maquiar contas públicas. Dilma Rousseff, que tinha em seu gabinete sete ministros do PMDB, perdeu o primeiro na segunda-feira. Henrique Alves, do Turismo, abandonou o barco, argumentando que o tempo do diálogo "se esgotou". Uma fonte do PT, que pediu para ter sua identidade preservada, informou à AFP que três ministros poderiam decidir permanecer no gabinete.

"Um governo moribundo"
A oposição se disse disposta a dar apoio "político" a um eventual governo de transição no comando de Temer, um advogado constitucionalista de 75 anos, até agora com pouca projeção nacional. "O governo Dilma acabou. A saída do PMDB fecha a tampa do caixão de um governo moribundo", afirmou o líder da oposição e presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), derrotado nas eleições de 2014 por Dilma Rousseff por estreita margem dos votos. O PMDB é a maior força política do país com 68 deputados e 18 senadores, chaves para Dilma frear o processo de impeachment. Tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula denunciam o impeachment como uma tentativa de golpe, sem bases jurídicas.

O PT convocou marchas de apoio para quinta-feira, 31 de março.
A presidente Dilma embarcaria na quarta para os Estados Unidos, onde participaria na quinta e na sexta da Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington. A agenda internacional foi cancelada. A principal potência latino-americana enfrenta uma crise severa, que se alimenta dos escândalos de corrupção da Petrobras e de uma recessão econômica de proporções históricas.

"Efeito manada"
O impeachment avança rapidamente e pode terminar por volta de meados de abril, se o Congresso aprová-lo por maioria de dois terços (342 dos 513 deputados) e depois o Senado, por mais da metade de seus 82 membros. Se for aprovado nas duas câmaras, Dilma Rousseff seria afastada do cargo por um período máximo de 180 dias, até que a Câmara alta dê seu veredicto final, desta vez por maioria de dois terços. Se Dilma for destituída, Temer assumiria o poder até 2018 com um programa econômico liberal, que contempla cortes dos gastos públicos, revisão dos programas sociais e reforma da Previdência Social.

O governo teme que a saída do PMDB arraste outros aliados menores.
"Haverá um efeito manada, o processo é irreversível. O tamanho da bancada do PMDB faz com que, quando vote em conjunto, quase sempre define o resultado", disse à AFP o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). "Em menos de três meses teremos um novo governo. Em dois meses", comemorou o deputado do PMDB Osmar Terra (RS). "Dilma inventou uma política econômica de crédito fácil, que nos levou a esta crise porque não tinha base real", disse Terra à AFP.

No fim de 2015, Temer enviou uma carta a Dilma, na qual manifestou seu incômodo com a "desconfiança" da presidente no PMDB e se queixou de ser tratado como um "vice-presidente decorativo", que "perdeu todo o protagonismo político". No começo deste ano, ratificou que o partido disputará as eleições de 2018 com candidato próprio. O PMDB foi aliado do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e, depois, de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e de sua sucessora, Dilma Rousseff. Investigado por suspeita de favorecimento no "Petrolão", Lula foi nomeado ministro da Casa Civil, na tentativa de intensificar a articulação política e reconstruir a aliança abalada, mas sua designação foi bloqueada na Justiça.

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