segunda-feira, 11 de abril de 2016

Aumento de focos de Aedes aegypti preocupa moradores de Cascadura

Durante visita ao bairro do Zona Norte, equipe do DIA 
encontrou imóveis vazios, entulhos e até carros abandonados.


Diagnosticados com zika, dengue ou chikungunya, 
moradores temem que mais pessoas sejam contaminadas.
MARTHA IMENES

Rio - Duas ruas de Cascadura, na Zona Norte, são o retrato da proliferação dos focos do mosquito Aedes aegypti. Os casos de zika, dengue e chikungunya estão deixando moradores da João Romeiro e Armando Almeida em pânico. E é difícil encontrar por lá uma casa que não tenha tido pelo menos uma vítima do mosquito. Somente na tarde de sábado, durante visita da equipe do DIA, 11 vizinhos com alguma dessas três doenças se reuniam na casa de Osias Gonçalves, 54 anos, morador da Rua João Romeiro. Na família de Osias, além dele, a filha Lorena Gervásio Gonçalves, 22, pegou chikungunya. Osias e Lorena, que teve dengue há pouco tempo, temem pelos outros parentes. A aposentada Maria José Santa Rosa Martins, 64, moradora da Rua Armando Almeida começou a sentir dores pelo corpo e febre, mas ainda não foi ao médico porque, segundo ela, a UPA de Campinho está muito cheia e ela não aguentaria esperar o atendimento por conta das fortes dores no corpo. “Minha vizinha foi com a bebezinha dela e esperou por sete horas para ser atendida. Para mim, não dá”, lamenta. Diagnosticado com zika e preocupado com a esposa, a filha e a nora, também doentes, Carlos de Aguiar cobra uma solução para o problema. “Liguei para o 1746 (central de atendimento da prefeitura) e ninguém veio”, diz.

Imóveis vazios, com quintais cheios de garrafas, entulhos e até carros abandonados, além de muitos mosquitos, foram vistos pela equipe de reportagem no local e dão pistas do motivo da expansão dos casos das doenças na área. A Secretaria Municipal de Saúde informou, no entanto, que agentes da coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde estiveram no local por duas vezes, mas não encontraram focos do mosquito. Moradores denunciam que, além de mosquitos, ratos também saem dos imóveis vazios localizados nos números 212, 242 e 363 da Rua João Romeiro.

Prefeitura notifica 1.146 imóveis
O decreto nº 34.377, de 2011, permite o ingresso em imóveis fechados ou abandonados. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, com base nesse decreto, “os agentes de vigilância ambiental fizeram 1.146 notificações em imóveis que estavam fechados, na primeira visita, com 95 publicações em Diário Oficial para entrada compulsória. A maioria dos proprietários procurou a secretaria, após a notificação ou dentro do prazo estipulado no DO, abrindo o local para permitir a vistoria. Em 61 imóveis, no entanto, os agentes precisaram fazer a entrada compulsória. Enquanto nada se resolve por parte do poder público, os próprios moradores tentam conscientizar as pessoas da gravidade da situação e procuram os donos dos imóveis. Mas não temos tido sucesso porque as pessoas não se importam”, lamenta Carlos de Aguiar, 53 anos, morador da Rua João Romeiro.

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