terça-feira, 5 de abril de 2016

Adolescente morta em explosão na Zona Norte sonhava em ser bailarina

Últimas palavras ouvidas pelo pai de Karen Nicasso Mello 
foi um pedido da menina de 13 anos para estudar dança.


Conjunto habitacional fica às margens da Avenida Brasil.
BRUNA FANTTI

Rio - "Pai, eu quero ser bailarina. Você pode pagar um balé para mim?". Essas foram as últimas palavras que Karen Nicasso Mello, de 13 anos, falou para o pai, Cleodon Cordeiro de Melo Júnior, de 38, quando os dois conversaram por telefone, na noite da segunda-feira. A menina, junto com outras quatro pessoas, foram as quatro vítimas fatais de uma explosão ocorrida, no final da madrugada desta terça-feira, no conjunto habitacional Fazenda Botafogo, em Coelho Neto, Zona Norte da cidade. "Estávamos falando sobre sonhos ontem (segunda-feira) e o sonho dela era ser bailarina. Eu estava juntando dinheiro para pagar um curso de balé e iria fazer essa surpresa para ela mês que vem. Minha filha era muito alegre, muito estudiosa, era minha filha única", lembrou Cleodon, que está inconsolável. Ele é empacotador em um supermercado e não morava com a filha.

Karen morreu na hora e o casal Rosane Oliveira, de 55 anos, e Francisco Oliveira, de 55 anos, morreram na hora. A menina estava dormindo no mesmo quarto da mãe, no apartamento 101, na hora da explosão. Outras duas pessoas também foram vítimas fatais da explosão. José S., 85 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu a caminho do Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. O mesmo ocorreu com uma mulher adulta ainda não identificada, que era encaminhada pelos bombeiros para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Outras 14 pessoas ficaram feridas na explosão.

Nesta manhã, o prefeito Eduardo Paes foi ao conjunto habitacional, localizado na Rua Omar Fontoura. Quando chegou, Paes foi vaiado por moradores, que o chamaram de "irresponsável" e criticaram sua postura. "Depois que a tragédia acontece, você aparece", ouviu o prefeito de alguns moradores. Chefe do Executivo municipal, ele teve que ser escoltado por seguranças até uma tenda da Defesa Civil, onde se reuniu com os representantes das famílias atingidas. "Estamos tentando amenizar o sofrimento das pessoas. A prefeitura está pedindo para irem para casa de parentes e vai pagar a hospedagem das pessoas. Já de imediato trouxe empresas para assumir as obras do prédio e vamos dar ajuda de custo para as famílias. Mas, é obvio, que vamos cobrar da CEG. Eles vão ter que pagar essa obra. O que não podemos é deixar as pessoas sofrendo e não podemos deixar os moradores esperando a CEG pagar qualquer coisa. É inaceitável que esse tipo de situação aconteça na cidade. Vamos ajudar as famílias com mil reais. Têm coisas que não se pagam, como as pessoas que vieram a falecer, isso é o mais inaceitável de tudo. Parece que a CEG vinha sendo chamada com constância", afirmou Paes.

O Procon Estadual abriu uma investigação para apurar a responsabilidade da CEG na explosão. De acordo com a Defesa Civil, o acidente pode ter sido provocado pelo vazamento de uma tubulação da CEG. A autarquia também pediu para que o Corpo de Bombeiros forneça informações técnicas sobre o ocorrido. "O Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que o fornecedor do serviço responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por problemas relativos à prestação do serviço", afirmou o Procon-RJ, ressaltando que "é considerado defeituoso o serviço que não fornece, entre outros itens, a segurança que o consumidor pode esperar dele". Ainda de acordo com o órgão, a CEG deverá apresentar sua defesa em 15 dias úteis, contados a partir do recebimento da notificação. "Caso o prazo não seja cumprido ou os argumentos não sejam aceitos pelo Setor Jurídico do Procon Estadual, a concessionária será autuada", acrescentou o órgão, em comunicado.



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