quinta-feira, 24 de março de 2016

Lava Jato diz que só aceita acordo se Marcelo Odebrecht assumir plena culpa

Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato 
estão jogando duro com os executivos da empreiteira.


Marcelo Odebrecht, preso desde 19 de junho, resistiu 
quase 10 meses a aceitar fazer acordo de delação.
O DIA

Curitiba - Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato estão jogando duro com os executivos da Odebrecht, maior construtora do país. O investigadores afirmam que não abrem mão da ampla confissão do empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht em um eventual acordo de delação premiada. Marcelo é ex-presidente da empreiteira e está preso em Curitiba desde 19 de junho. Na noite de terça-feira, o Grupo Odebrecht surpreendeu o país ao divulgar documento informando a intenção de executivos da empresa de fechar uma “colaboração efetiva” com a Lava Jato. O documento da empreiteira não cita expressamente Marcelo Odebrecht.

Marcelo foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos de prisão no primeiro processo em que foi réu na Lava Jato. Ainda existe uma dezena de processos contra ele na operação. Os procuradores negaram ontem ter fechado qualquer acordo de delação com a empreiteira e informaram que os executivos devem demonstrar que têm novidades relevantes para abastecer as investigações. Os procuradores querem detalhes sobre a corrupção em obras públicas tocadas pela Odebrecht. Algumas delas já estão no radar da Lava Jato, como o setor de plataformas na Petrobras, o estádio Itaquerão, em São Paulo, o Porto Maravilha, no Rio, entre outras.

LULA
Outro ponto considerado essencial para investigadores em eventual negociação, é que os executivos do Grupo Odebrecht revelem dados sobre os pagamentos de palestras, doações e reformas feitas em benefício do ex-presidente Lula. Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, de tirar das mãos de Sérgio Moro, em Curitiba, os inquéritos envolvendo o ex-presidente, as informações podem interessar à Procuradoria-Geral da República, e não mais aos investigadores paranaenses. Na nota de anteontem, o grupo deu indicativo de que pretende informar sobre doações eleitorais. “Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Lava Jato - que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país - seguimos acreditando no Brasil”, informa a construtora.

A tentativa de negociação de delação premiada por executivos da Odebrecht começou mal, na avaliação dos procuradores da Lava Jato. “A simples intenção demonstrada não tem o condão de descaracterizar a contínua ação do Grupo Odebrecht em obstruir as investigações em andamento, como ficou caracterizado na recente tentativa de destruição de seu sistema de controle informatizado de propina, como ocorrido na 26ª fase da Operação Lava Lato”, afirmam os procuradores federais em nota oficial.

PF indicia marqueteiro
A Polícia Federal indiciou o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação na organização criminosa que desviava recursos da Petrobrás. Os dois serão denunciados na próxima semana pela força-tarefa da Lava Jato ao juiz federal Sérgio Moro. Eles são acusados de receber de US$ 7,5 milhões, entre 2012 e 2014. O dinheiro foi depositado em conta secreta que Santana e a mulher mantinham na Suíça. Os valores foram pagos pela Odebrecht. Santana e Mônica estão presos em Curitiba desde 23 de fevereiro.

Com a colaboração da Agência Estado
http://odia.ig.com.br/