quinta-feira, 24 de março de 2016

A lista da polêmica: 200 políticos na lista da grana da Odebrecht

Lava Jato divulga lista de doações da empreiteira com nomes de Aécio, Alckmin, Serra, e Moro desta vez pede sigilo. PT e outros 23 partidos também são citados.


A Polícia Federal encontrou planilhas que mostram doações feitas 
pela Odebrecht, em 2012 e 2014, a mais de 200 políticos de 24 partidos.
CAIO BARBOSA

Rio - Nunca antes na história deste país uma lista provocou tanto alvoroço entre ministros do governo, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Documentos apreendidos pela Polícia Federal, durante ação da Operação Lava Jato, trazem uma relação com os nomes de mais de 200 políticos, de 24 partidos, que receberam doações feitas pela construtora Odebrecht. Os repasses foram feitos nas campanhas municipais de 2012 e para a eleição de 2014. Entre os citados, estão integrantes da cúpula do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). E também do PMDB, como os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), além do ex-presidente José Sarney (AP), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o ex-governador Sérgio Cabral e o atual, Luiz Fernando Pezão.


O vice-governador Francisco Dornelles (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), também tiveram os nomes citados. Entre os petistas, destacam-se os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da chefia de Gabinete da Presidência, Jacques Wagner, além do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e os senadores Lindberg Farias (RJ) e Humberto Costa (PE), líder do partido.

Os nomes da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula não estão na relação que, após ter sido divulgada pela Justiça, teve o sigilo decretado pelo juiz federal Sergio Moro — o mesmo que revelou os grampos telefônicos com conversas entre Lula e Dilma. Não é possível de antemão saber se as doações feitas pela empreiteira são propina. Mesmo que não estejam na prestação de contas registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral, é possível que sejam as chamadas doações ocultas, ou seja, repasses feitos aos partidos de forma legal, que depois se destinam aos candidatos. Os documentos, agora sob sigilo de Justiça, foram apreendidos nas buscas realizadas pela Polícia Federal em um endereço do executivo da empreiteira Benedicto Barbosa Júnior, o BJ, durante a 23ª fase da Lava Jato, em fevereiro.

Os políticos com os nomes na lista correram para negar qualquer doação ilegal para sua campanhas. Foi o caso do tucano Aécio Neves que também condenou o vazamento da relação de beneficiados pela empreiteira. “Não precisava dessa divulgação. Basta apenas olhar as declarações de campanha de todos os candidatos, de todos os partidos”, disse o senador. Assim como ele, os presidentes Renan Calheiros e Eduardo Cunha também negaram ter recebido doações ilegais da Odebrecht.

Em nota oficial, o prefeito Eduardo Paes, aliado de Dilma, garantiu que “todas as doações ocorreram de forma oficial e legal e foram declaradas à Justiça Eleitoral”. Também em nota , o governador Pezão disse que as contribuições às suas campanhas ocorreram de acordo com a lei. “Além disso, todas as contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.”


Apelidos de políticos viram motivo de piada nas redes sociais
A lista divulgada pela Lava Jato movimentou o país não apenas pela quantidade de políticos envolvidos, dos mais diversos partidos, como também pelos apelidos dados pelos responsáveis por estes repasses, a princípio, destinados a campanha eleitoral. O prefeito Eduardo Paes, por exemplo, era chamado de “Nervosinho”. O ex-governador Sérgio Cabral era apelidado de “Proximus”, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, hábil para flertar com a direita e a esquerda ao mesmo tempo, é o “Caranguejo”, aquele que anda de lado. A deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), uma das musas da política nacional, era chamada de “Avião”, e o senador Lindberg Farias, o “Lindinho”, apelido dado pelos moradores de Nova Iguaçu, quando foi prefeito da cidade. Jarbas Vasconcelos Filho (PMDB-PE) era o “Viagra”. Seu conterrâneo Humberto Costa (PT), o “Drácula”. Também petista, o baiano Nelson Pelegrino era chamado de “Pelé”, uma clara alusão ao seu sobrenome, não ao seu talento com a bola nos pés. Já o ex-presidente José Sarney era chamado de “Escritor”.

Codinome ‘Proximus’ está em tabela de secretária
Na tabela apreendida pela Polícia Federal, em que a Odebrecht dá apelidos para políticos, ‘Proximus’ está identificado como sendo o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. O mesmo apelido aparece também em uma nota de contabilidade que a secretária Maria Lúcia Tavares disse, em delação, ser relacionada ao pagamento de propina. Nela, ‘Proximus’ aparece como o beneficiário de um pagamento de propina das obras da Linha 4 do Metrô. O documento mostra que a quantia foi entregue a Olivia Vieira, que a Polícia Federal desconfia que seja uma funcionária da Odebrecht e diretora do consórcio Rio-Barra, responsável por parte das obras. A propina acertada ficou em R$ 2,5 milhões, paga em parcelas entre setembro e novembro de 2014, segundo a PF. Em nota, a assessoria de Cabral restringiu-se a dizer que “todas as contribuições das campanhas eleitorais do ex-governador foram de acordo com o que estabelece a lei”. Com Bruna Fantti

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