quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Pais de Luiz, com microcefalia, lutam contra o preconceito

Sem recursos, família de Maricá depende de doações. Estado do Rio já tem 208 casos.


Ao lado do marido, Misael, e do filho mais velho, Pollyana Rabello conta com a ajuda 
de donativos como fraldas para cuidar do pequeno Luiz Philipe que nasceu com a doença

WILSON AQUINO

Rio - Faltavam 15 minutos para às 21:00hs., de 28 de dezembro de 2015, quando Pollyana Rabello, de 27 anos, deu à luz um menino, na maternidade do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói. Na sala de parto, a enfermeira levou o neném aos braços dela e deu a má notícia: “Mãezinha, seu filho nasceu com microcefalia”. “Não fiquei com raiva do mundo e nem briguei com Deus”, lembra Pollyana, moradora de Maricá, na Região Metropolitana. “Fiquei foi muito assustada. Não sabia o que ia acontecer, tinha muito medo do meu bebê morrer”, diz. Passados dois meses, o medo da mãe de Luiz Philipe agora é outro: “É o jeito que as pessoas vão tratar ele. O preconceito é muito grande. Isso me apavora. Teve uma menina que postou no Facebook que crianças com microcefalia são parentes de ET”, desabafa a mãe, angustiada.

A preocupação de Pollyana é a mesma de milhares de mães. O Ministério da Saúde divulgou ontem novos dados sobre a microcefalia no país. Dos 3.670 casos suspeitos (208 no Estado do Rio), 404 foram confirmados. A relação da síndrome com o vírus Zika aparece em 17 deles. Pollyana, cujos dois primeiros filhos nasceram saudáveis, desconfia do mosquito. “No oitavo mês da gravidez, tive uma virose, não sei se foi Zika, os exames não ficaram prontos”, diz. A exemplo de outras mães pobres e mal orientadas, não fez o pré-natal. “Fiz uma ultrassonografia no sétimo mês e não acusou nada”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera 32 centímetros como medida padrão mínima para a cabeça de recém-nascidos. Luiz Philipe nasceu com 26cm. “Na consulta mediram e ele agora está com 28cm. Tenho esperança de que com tempo ele vai se desenvolver mais”, acredita.

Luiz Philipe está sendo acompanhado pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fiocruz. Enquanto não consegue uma clínica de fisioterapia, a mãe tenta estimular o bebê. “Fico esticando as perninhas e bracinhos, para não atrofiar pois ele fica muito encolhidinho; mostro coisas coloridas e observo se ele acompanha com os olhos; faço barulho perto do ouvido para ver se ele olha para o lado. Ele tem reagido bem a esses estímulos”, diz a mãe, que não vê muita diferença entre a criação de Luiz Philipe e dos outros filhos. “Só física. Fora isso, o choro é o mesmo, a fome é a mesma. Ele é bastante fominha. Tudo que uma criança faz, ele faz”, conta a mãe, que não perde a esperança de ver o filho correndo, pulando e brincando.


Luiz Philipe nasceu com microcefalia

A família de Luiz Philipe é muito pobre. Vive em uma casa de quarto e cozinha. Eles não têm banheiro; quando precisam vão à casa de parentes. O pai de Luiz Philipe, Misael Júnior, 21, vive de biscates. Solidários, taxistas de Niterói estão recolhendo fraldas e latas de leite para o bebê, na esquina da Rua Tiradentes com Visconde de Moraes, no Ingá. Quem pode ajudar?

Força-tarefa no combate ao Aedes
O governador Luiz Fernando Pezão quer esmagar o mosquito. Ele estabeleceu que a partir de agora todas as repartições públicas do estado devem promover mutirões semanais para eliminar focos do Aedes aegypti. A força-tarefa envolve agentes da Secretaria de Saúde e da Defesa Civil. No dia 18, 600 bombeiros vão vistoriar residências na Região Metropolitana para eliminar criadouros. A presidente Dilma anunciou uma megaoperação a partir de sábado, com 220 mil militares que farão visitas domiciliares no país.

Criadouros no caminho para a Uerj e o Maracanã
Enquanto o Rio caminha rumo à Olimpíada, quem passa em direção ao grande palco da abertura do evento vê que mesmo com os investimentos no local, ainda falta o básico no combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como a dengue, zika e chikungunya.

É a céu aberto, em vários pontos da passarela que liga o estádio do Maracanã e a Uerj ao metrô e trem, que canaletas acumulam lixo e água parada. O abandono preocupa moradores e ambulantes que passam por ali. Flagrante, feito pela equipe do DIA, mostra ainda canos entupidos de detritos, impossibilitando o escoamento da água da chuva. “Sempre passo por aqui e não vejo ninguém limpando”, reclamou o empresário Caio Lopes, de 22 anos, ao lado da recepcionista Juliana Costa, de 19 anos. Ambulantes confirmam a falta de visitas da prefeitura. “É água antiga. Fica todo mundo apreensivo”, criticou outro vendedor.


Água parada na passarela recém reformada é possível foco do mosquito.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, equipes já foram acionadas para retirar a água parada. Além do risco à saúde, o desgaste da estrutura, que integrou uma reforma feita há dois anos para a Copa do Mundo, no valor de R$ 200.000.000,00, oferece risco, já que placas que cobrem as canaletas, junto ao parapeito, apresentam rachaduras. A Secretaria de Conservação informou que fará os reparos na semana que vem.

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