quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Longe da ação militar, favelas sofrem com infestação de Aedes aegypti

Moradores se mobilizam para combater focos do mosquito no lixo que se acumula.


No Borel, caçambas da Comlurb não dão conta do montante de resíduos
O DIA

Rio - Sem as Forças Armadas que não combatem os mosquitos em áreas de risco, moradores de favelas estão se mobilizando para eliminar os criadouros do Aedes aegypti, que só este ano infectaram 10.311 pessoas com dengue. Mais do que o dobro registrado no mesmo período do ano passado, quando foram notificados 4.182 casos suspeitos da doença. A missão das famílias que vivem em comunidades é reduzir os lixões que se espalham por becos e vielas. O acúmulo de detritos continua sendo o grande vilão nas favelas. É o caso do Borel, na Tijuca, que apesar de receber o serviço regular da Comlurb — responsável pela coleta de 18 toneladas de resíduos por dia —, enfrenta problemas sérios com a falta de conscientização dos moradores que descartam restos de qualquer forma e não se preocupam com o aumento dos casos. Morador, Délcio Borba, de 40 anos, se depara constantemente com o problema do lixo. “Eu fico chateado. Em frente onde moro tem valão que cheira mau devido à quantidade de lixo despejado pelos próprios moradores. É pratinho, copo plástico e outras coisas. Ninguém ajuda. Eu tento alertar, mas ninguém dá a mínima”, lamenta ele, sugerindo que houvesse uma campanha direcionada às favelas.

As comunidades do Borel, Fallet, no Centro, e Vidigal, em São Conrado, contam com a ajuda da associação de moradores, da ong Jovens Com Uma Missão pelo Mundo (Jocum) ou de programas voluntários para alertar sobre o risco causado pelo mosquito e ensinar o correto despejo de materiais. “Conversamos com as crianças sobre o descarte do lixo e meio ambiente. As crianças chamam a atenção dos pais”, disse Fafá do Fallet, coordenador do programa voluntário ‘Fallet Embalando Crianças’. Segundo o presidente da Comlurb, Luciano Moreira, as favelas são o maior desafio. “A coleta é feita diariamente, em mais de um horário. O caminho é seguir investindo nos laranjões (caçambas de lixo) e trabalhar junto com a Secretaria Municipal de Saúde para conscientizar moradores e donos de terrenos”, conclui. Na terça-feira, militares da Marinha fizeram operação de caça aos focos em Campo Grande, na Zona Oeste. Em uma das casas, na Praça José Eusébio, havia dez larvas de mosquito, numa piscina. Foram coletadas para verificar se são dos transmissores da dengue. Nas favelas, no entanto, não há nenhum cronograma para receber a força-tarefa militar.

Só um bebê tem microcefalia
Dois casos de microcefalia ocorridos no Rio de Janeiro e em Pernambuco desafiam os cientistas. No Recife, a dona de casa Cassiana da Silva deu à luz um casal de gêmeos há pouco mais de um mês, mas apenas um dos bebês, uma menina, foi diagnosticado com a má formação no cérebro. Os gêmeos foram gerados em placentas diferentes e, com isso, cada um se desenvolveu de forma independente. Pesquisadores tentam agora identificar anticorpos que podem ter sido produzidos pelo próprio organismo para combater a infecção pelo vírus Zika.

Na capital fluminense, um segundo caso está sendo investigado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Uma gestante, de 34 anos, contraiu a Zika no sexto mês de gravidez, mas não havia sinais de que o bebê havia sido infectado pois o crânio possuía tamanho normal. A uma semana do parto, a família buscou a maternidade Carmela Dutra, no Méier, pois o bebê não se mexia. Os médicos descobriram que o feto estava morto havia 10 dias. Cientistas da Fiocruz vão analisar tecidos do feto doados pela família para identificar as causas da morte. Pode ser o primeiro caso no Rio de bebê infectado e morto pelo vírus Zika ainda no útero.

Reportagem da estagiária Julianna Prado
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