terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fiéis realizam diversas homenagens a Iemanjá

Religiosos estiveram em diversos pontos da cidade homenageando a 'Rainha do Mar'.


No Dia de Iemanjá, devotos participaram de cerimônia com tradicional saudação aos orixás. Depois, partiram em uma embarcação até Niterói para entregar as oferendas

AMANDA RAITER

Rio - Mais de mil pessoas participaram do cortejo no dia de Iemanjá, que saiu da Rio Branco na manhã de ontem e terminou com lançamento de oferendas ao mar em meio à Baía de Guanabara. Para animar os devotos, os Filhos de Ghandi se apresentaram em todo percurso a pé, até a Praça XV, e via mar. Nas barcas, os fiéis lançaram cestos e flores brancas e amarelas para saudar a entidade do dia. A embarcação, que tem capacidade para 2 mil pessoas, estava cheia e contou também até com roda de capoeira. Axé também não faltou. A mãe de santo Francis de Iemanjá andou por todos os cantos da barca para benzer os participantes com água de cheiro. Em muitos casos, pessoas vieram de longe só para prestar a homenagem. Foi o caso da dona de casa Rosana Jesus Jardim, de 54 anos. Ela viajou três horas, de Resende, no Sul Fluminense, até a capital só para agradecer, em águas salgadas, à Rainha Sereia. "Não vim pedir nada, pois só de ver meus filhos saudáveis, já me faz sentir abençoada", diz.

A professora de matemática Rita de Cássia Tavares, de 66 anos, dançava e erguia as mãos emocionada com a homenagem. "Iemanjá é família. É a mãe de todos. Como a família é importante para todos, vim pela minha família. A gente tem que agradecer." Para homenagear sua orixá, a professora deixará rosas e anéis na Baía de Guanabara. "Os anéis, pra mim, representam tudo aquilo que ficou no passado e você entrega para ter uma vida nova, e porque Iemanjá é muito vaidosa."

O enfermeiro Luciano Lucena, de 47 anos, também não foi agradecer de mãos vazias. Levou perfumes para Iemanjá, orixá a quem recorre diariamente em seu trabalho. "Eu cuido da vida das pessoas e sempre peço ajuda a Deus e a Iemanjá. É algo que não veio da minha família, mas do meu coração."


Renovação
Membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o babalawo do candomblé Ivanir dos Santos comemora a proximidade da festa com o carnaval, e a exposição da religiões de matriz africana na maior festa do país. "Uma boa parte das escolas de samba vai falar sobre essa manifestação religiosa. Então, em um dos maiores momentos do turismo brasileiro, o que marca a cultura e a identidade desse povo é a essa religião." Ivanir também festeja o fato de jovens estarem aderindo à festa e destaca que as religiões de matriz africana se renovam e resistem à perseguição religiosa. "Quanto mais se persegue. Mais ela se renova. É uma religião que não exclui, que não pergunta de onde você veio", finaliza.

Com informações da Agência Brasil
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