sábado, 30 de janeiro de 2016

Funcionários do Hospital Pedro Ernesto voltam a protestar contra crise

Terceirizados reivindicam pelo pagamento de salários atrasados e melhorias nas condições de trabalho.


Em meio à crise, funcionários do Hospital Universitário Pedro Ernesto fizeram 
protesto para reivindicar por melhorias na saúde do Estado.

LUCAS GAYOSO

Rio - Pedaços de panos brancos nas janelas dos edifícios e buzinaço entre os carros que passavam pela Uerj e Maracanã. Foi assim que os moradores de Vila Isabel e quem passava pelo bairro manifestou apoio ao protesto dos funcionários do Hospital Universitário Pedro Ernesto na manhã da sexta-feira. Em passeata pacífica, o grupo interditou a Rua 28 de Setembro reivindicando o pagamento de salários atrasados e melhorias nas condições de trabalho. Esta semana, até furto de aparelhos usados para exames de câncer foi registrado no local — a polícia investiga cinco furtos em dois meses, incluindo aparelhos de ar condicionado e computadores.


Fachada do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Crédito: Agência O Globo)

Inaugurado há 60 anos e considerado referência em saúde pública, o hospital sofre uma das piores crises de sua história. Com atrasos nos repasses de verba pelo estado, a unidade tem apenas um terço dos leitos funcionando. As internações e cirurgias estão suspensas, além de faltar remédios como antibióticos e analgésicos. De acordo com funcionários, os terceirizados e médicos residentes estão sem receber o pagamento de dezembro e o 13º salário. Não há previsão para que a situação se normalize. Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio (Sinmed/RJ), Jorge Darze chegou a puxar coro de “fora Pezão”, acusando o governo do estado de negligenciar a pasta da saúde. “Este senhor tem mostrado que não tem preparo para o cargo e precisava ser afastado do cargo por crime de responsabilidade”, disse. “É um grave prejuízo para a população do Rio. Estamos falando de um hospital que acumula três funções que os demais não tem: faz pesquisa, forma profissionais e realiza operações de alta complexidade”, afirmou.

Presentes de jaleco na manifestação, médicos comentavam que essa é a pior situação já vista na unidade. “Falta manutenção, limpeza. O pior é que não tem para onde os pacientes serem transferidos”, contou o nefrologista José Suassuna. “Nós estamos sendo asfixiados por falta de dinheiro. Não tem como o hospital se manter assim. Há até acúmulo de lixo no corredor e goteiras”, disse o médico e professor José Messias.

Uerj espera por repasses
A Uerj informou que vem “envidando todos os esforços para a necessária regularização dos pagamentos atrasados referentes a bolsas, contratos e serviços terceirizados” no Pedro Ernesto. E alega que não recebeu o repasse dos recursos necessários para honrar esses compromissos. Na terça-feira, após o penúltimo protesto, o governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse estudar a transferência da gestão do hospital para a Secretaria Estadual de Saúde. “Com a racionalização de custos na saúde, quero fazer uma parceria para ajudar o Pedro Ernesto a sair da crise”, afirmou.

Mariá Casanova, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio, desconfia: “Isso é invenção para sucatear os hospitais, suspender o funcionamento e privatizar. Mesmo passando fome, os funcionários chegaram a um ponto em que a preocupação maior nem é receber em dia, mas continuarem com seus trabalhos”.

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