quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Familiares afirmam que BRT sabia que roleta estava com problemas

Kaíque Diego, de 4 anos, segue internado no Albert Schweitzer após receber uma descarda elétrica na estação Mercadão.


O DIA

Rio - Familiares do menino Kaíque Diego de Araújo Cardoso, de 4 anos, afirmaram nesta quinta-feira, na porta do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, de que o consórcio BRT tinha conhecimento de que a roleta da estação Mercadão de Madureira estava com problemas. Segundo informações, um dos funcionários chegou a entrar em contato com a concessionária comunicando que um das seis roletas estava dando choque e que o BRT não autorizou o fechamento da roleta. O garoto sofreu uma descarga elétrica na tarde de quarta e está internado na unidade de saúde. "Ele morreu e voltou. O que aconteceu no BRT foi um fato criminoso, porque os funcionários sabiam que estava dando choque e não trancaram a roleta", desabafa a avó de Kaíque, Maria do Socorro Viana de Araújo, de 40 anos.


No início desta tarde, o pai de Kaíque, Caio Hugo de Jesus Cardoso, de 21, afirmou que o garoto saiu do coma e comemorou: "Quem diria que um dia eu ia ver meu filho nesse estado (internado). Melhora filhão, papai te ama! Graças a Deus ele já saiu do coma. Deus poderoso!", disse. O menino sofreu duas paradas cardíacas e uma respiratória. A estação está fechada nesta quinta e não há previsão de ser reaberta. Agentes da Polícia Civil realizaram uma perícia no local. Procurado, o consórcio BRT ainda não se pronunciou sobre a denúncia de que havia sido informado do problema na catraca. De acordo com o consórcio BRT, um policial militar a serviço do corredor expresso através do Proeis foi quem socorreu a criança e a levou inicialmente para a maternidade Herculano Pinheiro, ao lado da estação. Após receber os primeiros socorros, ele foi levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, de onde foi transferido posteriormente para o Albert Schweitzer.

Segundo informações da 29ª DP (Madureira), as investigações estão em andamento para apurar os fatos e a perícia foi realizada no local. A Polícia Civil informou ainda que um funcionário do BRT foi ouvido na unidade e os familiares da vítima estão sendo aguardados para prestar depoimento. Imagens de câmeras de segurança já foram solicitadas para análise. Após o acidente, o Procon Estadual autuou o Consórcio Operacional BRT e destacou que o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que as concessionárias são obrigadas a fornecer serviços adequados, eficientes e seguros, o que não ficou configurado nesse caso.

O Consórcio BRT tem 15 dias úteis, contados a partir do recebimento da notificação, para apresentar a sua defesa. Caso o prazo não seja cumprido ou os argumentos não sejam aceitos pelo setor jurídico do Procon Estadual, o consórcio será multado.

Reportagem de Julianna Prado
http://odia.ig.com.br/